Política
Protestos ganham for�a
Por mais que o governo do Estado tente imprimir uma agenda positiva de ações, como o lançamento do Programa Alagoas Tem Pressa, a mobilização dos servidores tem se mostrado bem mais forte ? e parece crescer e ficar mais furiosa a cada semana. Os dois episódios envolvendo a depredação da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e o atentado ao Comando Geral da Polícia Militar com coquetéis molotov, marcaram a semana que passou, quando o governo já acreditava ter um controle ?mais seguro? da situação. O clima entre servidores públicos e o governo começou a piorar há 15 dias, depois que bombeiros da brigada de incêndio do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares decidiram paralisar as atividades. O resultado do ?motim? foi o fechamento do aeroporto para pousos e decolagens por quase um dia inteiro ? e a imagem de Alagoas arranhada no noticiário nacional. RETALIAÇÃO O governo decidiu retaliar. O Comando Geral do Corpo de Bombeiros abriu 56 processos administrativos disciplinares e 18 inquéritos policial-militar contra os soldados que participaram do ?motim? no aeroporto. Para acalmar os ânimos dos funcionários públicos, o governo também apresentou uma nova proposta de reajuste salarial, de 7%. Os servidores, no entanto, ainda se mostram arredios, e reclamam principalmente da forma como o governo apresentou essa nova proposta: ou os servidores aceitam os 7% até o próximo dia 30 de maio, ou voltará a valer o reajuste de 5,91% pra todo mundo. GARGALHADA Para piorar, uma gargalhada do governador, enquanto respondia a uma pergunta sobre o reajuste aos servidores, foi o estopim para a revolta registrada na semana que passou. A depredação registrada no prédio da Sefaz e o ataque com coquetéis molotov ao Instituto de Identificação Militar fizeram com que as secretarias estaduais amanhecessem a última sexta-feira protegidas por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ameaça de novas depredações fechou a semana que passou, mas ela ainda pode assombrar o governo e a sociedade nos próximos dias. Caso os bombeiros, professores, policiais civis e militares e demais categorias do funcionalismo não recuem e aceitem a proposta de reajuste, um novo protesto está marcado para o dia 27 de maio ? o que já vem sendo chamado pelos servidores de Dia ?D? da mobilização. |KF Governo e sindicalistas se estudam | DA EDITORIA DE POLÍTICA Um grupo sem controle. A julgar pelas palavras do presidente da CUT em Alagoas, Isac Jacson, os espaços e repartições públicas estariam vulneráveis a ataques de manifestantes, a qualquer hora, tudo porque categorias estão insatisfeitas com o reajuste salarial que não atende ao que consideram justo. Foi na sexta-feira que o presidente da maior central sindical fez tal afirmação ao comentar a invasão e quebradeira na Secretaria de Estado da Fazenda. Diante da insinuação daqueles que em tese lideram o movimento sindical, paira um certo clima de medo com futuras manifestações de rua. A tradição sindical em Alagoas não tem sido essa ? afora um ou outro excessos em protestos, sempre nos momentos de negociações salariais. Ao longo dos anos, já houve momentos até de tensão muito maior. Não tem sido pelo confronto violento que categorias têm obtido qualquer índice de aumento em seus vencimentos.