Política
Utiliza��o de carros oficiais vira pol�mica
Um promotor de Justiça, um comandante de corporação militar e um veículo pertencente ao Estado. A tríade virou notícia na semana que passou graças à liberação do automóvel do Corpo de Bombeiros de Alagoas para viagem de um grupo de pastores a Porto Seguro, na Bahia, onde os evangélicos participariam de um encontro nacional. O veículo, uma van modelo Sprinter, ficou do dia 6 de junho ao dia 10 do mesmo mês à disposição do grupo na cidade balneária, localizada ao sul da Bahia. O caso chegou ao conhecimento da imprensa, que teve acesso ao boletim geral da corporação, datado de 3 de junho deste ano. No documento oficial, o comando geral do CB revela que a liberação do veículo foi um pedido do promotor José Sidrack do Nascimento, do Ministério Público Estadual, e evangélico da Igreja Batista, a mesma que utilizou o carro para a viagem. O comandante-geral da corporação, coronel Neitônio Freitas silenciou. Em defesa do CB falou o assessor de comunicação, coronel Paulo Marques, que tratou a denúncia como ?um fato calunioso?. Cuidou de ?justificar? a viagem como ?fim social?. Conselho vai investigar uso de viaturas A denúncia sobre o uso do veículo dos Bombeiros para viagem de religiosos à Bahia foi parar no Conselho Estadual de Segurança Pública. Diante dos fatos apresentados pela imprensa, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Alagoas, Omar Coelho, requereu ao representante da instituição no Conselho, advogado Marcelo Brabo, que levasse o caso ao colegiado, ?para que tome as providências cabíveis?. De antemão, o presidente da Ordem informou que já está caracterizado o desvio de finalidade no uso do veículo pertencente ao Estado, o que configura uma ilegalidade. ?O bem público é de todos nós, mas não pode ser utilizado dessa forma. A viatura não poderia ser cedida para uma viagem sem destinação do interesse público nem para evangélico, católico, umbandista, para quem quer que fosse?, afirmou Omar, ao lembrar que ?o Estado é laico, não pode estar patenteando linha religiosa, seja ela qual for?. Bombeiros falam em influência da chefia Enquanto o coronel Paulo Marques usa todo seu vocabulário para defender o ato praticado pelo Corpo de Bombeiros, entre integrantes da própria corporação a certeza é de que o veículo oficial só foi emprestado por se tratar de pedido de um promotor, que é evangélico, para um comandante, que também é evangélico. A Gazeta ouviu relatos de militares, de oficiais, que não se identificam por temer possíveis punições por suas opiniões. Um deles contou que o major Wellington, chefe da garagem do CB, que também é evangélico e teria ligação com o promotor Sidrack do Nascimento e com o próprio comandante Neitônio, embarcou na mesma viagem e teria ajudado na liberação do veículo. Após ser informada de que à época do ocorrido o coronel Cruz era quem respondia pelo comando do CB na ausência do titular do cargo, coronel Neitônio, e de seu sub, a Gazeta entrou em contato com o oficial. Ele disse que assim que tomou conhecimento de que um integrante da corporação estava na mesma viagem, mandou um memorando, de número 145, para a Corregedoria, do CB pedindo que apurasse o fato. Por ser o mais velho entre os coronéis, o coronel Cruz responde pelo comando sempre que o comandante e o sub precisam se afastar.