loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Diverticulite ataca autoridades

Ouvir
Compartilhar

Desde que foi associada a um dos mais dramáticos momentos recentes para o País, a doença adquiriu contornos de lenda: acometer ?preferencialmente? políticos, encerrar ou suspender temporariamente carreiras ou governos, mudar a História (com ?h? maiúsculo). Para a maioria que tem mais de 40 anos, ouvir falar de diverticulite faz lembrar o drama de Tancredo Neves. Mais recentemente, os alagoanos também viveram parte da situação ? por sorte, sem o desfecho infeliz: às vésperas de receber pela primeira vez Dilma Rousseff como presidente, tiveram a notícia de que o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) se afastava do cargo para uma cirurgia às pressas, motivada por uma crise da doença. Descontada alguma analogia entre os casos (o caráter de urgência, a proximidade com um evento marcante e o primeiro atendimento ter sido no Hospital de Base de Brasília), não faltam outros elementos para reforçar a lenda: depois de meio século no poder, Fidel Castro teve de deixar a presidência de Cuba por causa de uma diverticulite. A doença fez o que quase uma dezena de sucessivos governos da potência Estados Unidos não conseguiram fazer. Casos são comuns depois dos 50 anos A doença diverticular é o nome que abrange dois problemas ? divertículo e a diverticulite. Ambos são provocados pelo mesmo mecanismo: o aparecimento de uma hérnia, quando a parede do intestino se projeta para fora. ?A partir da quinta década de vida, os casos de divertículo são relativamente comuns?, explica o médico gastroenterologista Venceslau Costa, que fez os primeiros exames em Teotonio Vilela Filho, quando ele ainda estava bem distante do Palácio República dos Palmares. Não há uma estatística, mas ele diz que nos últimos anos tem aparecido mais casos da doença ? o que o especialista atribui às mudanças na dieta da população. Pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou a relação que existe entre alimentação e a doença. Problema pode ficar anos ?escondido? Pelas características da evolução do quadro, desfecho e outros componentes, os médicos podem supor e até mesmo afirmar com certo grau de certeza quais doenças acometeram ou não personalidades, mesmo a distância e sem fazer nenhum exame. Isso ocorre também com a diverticulite. É o que permite concluir, por exemplo, que o então presidente eleito Tancredo Neves não foi acometido da doença às vésperas de assumir. Ainda que o mal esteja associado ao mesmo órgão e tenha nome parecido. Ele teria sido vítima de uma anomalia congênita chamada de Divertículo de Merckel. Estado também realiza cirurgias na área O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão, diz que há no Estado profissionais capacitados e serviços hospitalares com estrutura para a cirurgia de diverticulite. ?É uma cirurgia de rotina e três hospitais em Maceió a oferecem regularmente?, diz, acrescentando que defende que, como governador Vilela deveria dar o exemplo de que a estrutura de saúde de seu Estado é competente para fazer a operação. ?Creio que isso tem mais a ver com o fato de as pessoas de poder aquisitivo mais alto geralmente recorrerem a outros centros, quando têm de submeter a certas cirurgias. Os próprios médicos fazem o mesmo?. Integrante da bancada de oposição, o deputado estadual Judson Cabral (PT) proferiu vários discursos com críticas ao governo de Vilela, da tribuna da Assembleia Legislativa. Mas, neste episódio, não viu razões para isso.

Relacionadas