Política
Lula ainda tenta desencarnar do cargo
Recife, PE ? Em sua segunda oportunidade de discursar em público em viagem pelo Brasil este ano, o ex-presidente Lula demonstrou e admitiu sua clara dificuldade de ?desencarnar? da Presidência da República, durante agenda cumprida na capital pernambucana nas últimas quinta (21) e sexta-feira (22), mais de sete meses após deixar o comando da Nação. Na verdade, Lula não teve culpa de ter sido tratado como presidente a cada orador que discursava nas homenagens que recebeu de uma orquestra de crianças carentes da favela do Coque, das três universidades públicas de seu Estado natal e de partidos aliados. Mas, naturalmente, Lula deu mostras de que gostaria de ter a faixa presidencial pendurada em um dos ombros, ou ?reencarnar? novamente como presidente, para solucionar questões das quais não conseguiu nem consegue dar conta. Problemas que vão desde a construção de casas para os meninos e meninas artistas do Coque, ao crescimento da presença de produtos chineses no mercado brasileiro. Ex-presidente agora vive de palestras Recife, PE ? Desde que deixou a Presidência da República, Lula passou a viajar o mundo. De fevereiro até agora, já esteve em 20 países e diz ainda ter outros 23 com compromisso de visita marcado em sua agenda. De acadêmicos a chefes de Estado de todo o planeta, todos querem ouvir, em palestras muito bem remuneradas, o segredo das práticas de gestão que transformaram o Brasil em um país emergente com chances de se tornar uma das potências mundiais, no futuro. E quem ensina as lições é o nordestino levado pela mãe, Dona Lindu, em 1952, ao Sudeste do Brasil para se tornar operário, sindicalista e presidente da República. Essa capacidade de conduzir soluções para questões de matizes tão plurais quanto as características da formação da nação brasileira resultou, na última sexta-feira (22), nas outorgas de três títulos de doutor honoris causa a Lula, pelas universidades Estadual, Federal e Federal Rural de Pernambuco. Na solenidade de entrega dos títulos, Lula prometeu honrá-los, após ouvir que sua vida foi ?um exemplo de aprendizagem?, ?uma contribuição para o entendimento entre os povos? e ?um instrumento que deu oportunidade a quem sempre esteve excluído?. Recurso para AL saiu rápido, afirma Fora do poder, nesta volta às viagens pelo País, Lula deve se deparar com questões que faziam parte de suas responsabilidades, mas para as quais não conseguiu dar soluções definitivas. Na última sexta-feira, Lula não teve respostas para duas questões complexas: a miséria, que ainda assola o País, e a incapacidade de se dar celeridade às obras públicas, o que ainda atrasa o desenvolvimento do Brasil. A primeira questão o abordou na saída do Palácio Campo das Princesas, com uma carta na mão e lágrimas nos olhos. A miséria tinha nome de Lucilene Dias da Silva, 55 anos, que mora em um barraco de lona em Tamandaré (PE), e acordou cedo para percorrer 104 km até a capital para buscar ajuda do governador Eduardo Campos para mudar a situação de um filho de uma forma que Lula conheceu pela atitude da própria mãe, Dona Lindu. O segundo problema não resolvido por Lula foi apresentado pela Gazeta a ele, quando a reportagem quis saber se se incomodava em saber que não havia sido entregue, em Alagoas, nenhuma das casas das vítimas das enchentes de junho de 2010. ?Faz seis meses que eu deixei a Presidência, e não sei se foi entregue. Mas o dado concreto é que nunca se disponibilizou tanto recurso com a rapidez como disponibilizamos, sabe??, respondeu, ao lembrar que tentou dar fim à burocracia na liberação do socorro para a tragédia que também atingiu Pernambuco, que já tem vítimas morando nas casas novas. |DS