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Nº 5751
Política

Luz no Campo n�o cumpre meta em Alagoas

ROBERTO VILANOVA Alagoas e a Paraíba ocupam os últimos lugares no ranking do Projeto Luz no Campo, que está sendo executado em todo País. No Nordeste, a Bahia lidera a lista dos Estados que mais implantaram energia elétrica no campo, com 94 mil e 24 liga

Por | Edição do dia 22/09/2002 - Matéria atualizada em 22/09/2002 às 00h00

ROBERTO VILANOVA Alagoas e a Paraíba ocupam os últimos lugares no ranking do Projeto Luz no Campo, que está sendo executado em todo País. No Nordeste, a Bahia lidera a lista dos Estados que mais implantaram energia elétrica no campo, com 94 mil e 24 ligações, números que superam a previsão de Alagoas, que era de 70 mil ligações. De acordo com os números divulgados pelo Plano Avança Brasil, do governo federal, Alagoas só conseguiu fazer 2.382 ligações, ficando em penúltimo lugar; a Paraíba realizou 2.198 ligações e ficou em último lugar. Considerando-se o número de inscritos e a demanda atendida, a situação de Alagoas é a mais complicada – na Paraíba, o número de pretendentes é menor. Suspeitas Pelo balanço oficial, o Programa Luz no Campo tem uma demanda (interessados) no Nordeste de 503 mil 864 cadastrados, dos quais já foram atendidos 211 mil 697. Pernambuco é o segundo Estado que mais ligações realizou, com 53 mil 903 beneficiados, seguido do Ceará ( 41 mil 897), Piauí ( 6 mil 940), Rio Grande do Norte ( 6 mil 473), Sergipe ( 3 mil 880), Alagoas ( 2 mil 382) e a Paraíba ( 2 mil 198). O atraso do programa em Alagoas foi causado pelas denúncias de favorecimento na escolha da empreiteira responsável pelas obras. O deputado Paulão (PT), autor das denúncias, conseguiu impedir que uma firma de São Paulo monopolizasse a verba e obrigou ao governo do Estado a fazer a redistribuição do dinheiro entre várias empreiteiras – mas o deputado está sendo processado pelas denúncias. Mesmo assim, já foram liberados até agora 23 milhões de reais, o que equivale a dizer que os dois mil trezentos e oitenta e dois alagoanos beneficiados custaram ao projeto 10 mil reais per capita, gasto que está sob suspeita de superfaturamento. “Precisamos saber se esse valor, em Alagoas, corresponde à média nordestina. Por exemplo, em Pernambuco, o custo é bem menor, está em torno de 8 mil reais por pessoa beneficiada”. E ainda assim, o programa em Alagoas só está sendo executado onde as prefeituras garantiram a parceria financeira, com a contrapartida de 20%, como são os casos de Pão de Açúcar e Traipu. Nesses municípios, os prefeitos festejam os programas como obras municipais, pois, sem a ajuda da prefeitura, o governo não poderia executá-lo. Politicagem Outras denúncias relacionam o programa Luz no Campo à politicagem – um dos casos, registrados no município de São José da Tapera, informa que um dos transformadores que estavam no almoxarifado da Companhia Energética de Alagoas – Ceal – em Santana do Ipanema, foi levado para garantir a iluminação de uma fazenda que está sendo transformada em povoado. De acordo com as denúncias, muitos moradores foram orientados a gastar com a instalação de um rede particular, mas não conseguiram até hoje fazer a ligação com a rede da Ceal porque o sistema de energia elétrica no local é clandestino. O pior é que a Ceal ameaça retirar o transformador, segundo os agricultores que procuraram a empresa em Santana do Ipanema. Balanço Nacional Para se ter uma idéia da situação de Alagoas em relação ao resto do País, no último balanço do programa, apresentado na semana passada, foram contabilizadas 400 mil novas ligações de energia elétrica em propriedades rurais, sítios, fazendas e vilarejos. Na região Norte, de acordo com o balanço do Luz no Campo, foram cadastrados 123 mil 867 interessados e atendidos 31 mil 733. O Pará lidera a relação dos Estados da região Norte que mais realizaram ligações elétricas. No Nordeste foram cadastrados 503 mil 864 interessados, dos quais 211 mil 697 já foram atendidos. Apesar do fraco desempenho de Estados como Alagoas e a Paraíba, o governo federal garante que o programa Luz no Campo, que se encontra na sua primeira fase, superou as metas, beneficiando aproximadamente a dois milhões de brasileiros, o que corresponde a 98% do que foi feito, em termos de energia elétrica no campo, nos últimos quatorze anos. Ou seja, em quatorze anos, a eletrificação rural só conseguiu atender a 475 mil domicílios. Ainda de acordo com o balanço oficial, o programa conseguiu beneficiar 103 mil 942 pessoas na Região Sudeste, para o universo de 179 mil 722 cadastrados. Minas Gerais lidera a lista, com 71 mil 310 ligações, seguido do Rio de Janeiro, com 13 mil 919 beneficiados, São Paulo, com 13 mil 103 beneficiados e o Espírito Santo, com 5 mil 610 beneficiados. No Centro-Oeste, o Mato Grosso lidera a lista dos Estados que mais realizaram ligações de energia elétrica, com 25 mil 205 ligações, Goiás, com 7 mil 172 ligações, Mato Grosso do Sul, com 5 mil 697 e o Distrito Federal, com 1 mil e 97 ligações. Na Região Sul, para o total de 76 mil 333 pessoas cadastradas, o programa Luz no Campo atendeu a 32 mil e 74 interessados, ou seja, quase a metade. É no Sul do País onde o programa registra melhor desempenho, conforme o balanço oficial, que aponta o Paraná, com 16 mil 973 ligações, como o campeão, seguido de Santa Catarina, com 8 mil 883 ligações e o Rio Grande do Sul, com 6 mil 218 ligações domiciliares no campo.

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