Política
� procura de uma receita ideal - Opini�o
Uma receita de camarão ? e não de sururu ? foi apresentada como candidata a patrimônio imaterial da cultura alagoana. No mesmo dia (a última sexta-feira), a OAB de Alagoas defendeu uma espécie de federalização da segurança pública ? ou, em outras palavras, uma intervenção federal. A ideia partiu do presidente da Ordem, Omar Coêlho de Mello, depois que o filho de um advogado foi morto após assalto no Sertão. Quanto ao assunto gastronômico-cultural, o governador prometeu que a mesma honraria dedicada ao camarão também vai cobrir o molusco das nossas lagoas. Empolgado, Teotonio Vilela (PSDB) citou ainda a buchada como outra candidata ao título de patrimônio estadual. Foi logo avisado que, nesse caso, a iguaria não é especialidade nossa, mas de todo o Nordeste. Fica de fora. A inciativa no campo da culinária tem duas vertentes. A primeira é que o projeto partiu da Sococo, a indústria que tem laços familiares com o tucano titular do Palácio República dos Palmares. O segundo aspecto é a estratégia governamental de produzir boas notícias. A chamada agenda positiva é uma obsessão permanente, diante de tantos problemas ? da educação ao descontrole dos índices de violência. Voltemos à proposta do presidente da OAB. Aliada incondicional do governo até hoje, a entidade causou surpresa com a investida. Omar Coelho reclamou da morosidade estatal diante da urgência dos graves problemas. Segundo suas palavras, o governo deve solicitar essa suposta federalização, antes que seja tarde demais, para combater a bandidagem com mais ênfase. É evidente que algo assim será absolutamente rechaçado pelo governo, especialmente pelo comando das polícias. Mas sem briga. É bem provável que, a continuar o tema em debate nos próximos dias, OAB e governo acabem aparecendo juntos com o diálogo afinado. As duas partes não combinam brigando. Além do mais, para as autoridades na gestão tucana, as medidas necessárias já estão em andamento, com vários projetos e ações, e logo haverá queda nos números da criminalidade. Fora de Alagoas, sururu é sinônimo de confusão. Aliás, a definição está no dicionário. Mas, após quatro anos de recorrentes anúncios de projetos para o combate ao crime ? e no mesmo embalo agora no segundo mandato ?, confusão é tudo o que o tucanato dispensa. SEGREDO DA RECEITA Os herdeiros da receita do Camarão do Bar das Ostras (futuro patrimônio) disseram que o segredo guardado por décadas é muito simples. Natural. Afinal de contas, nem tudo que demanda esforços e ganha dimensões grandiosas está empacotado em fórmulas de alta complexidade. Descobrir algum caminho secreto para vencer os desafios na gestão do Estado seria tudo o que o governador gostaria. No entanto, medidas que parecem ?radicais? podem apenas chover no molhado. Não que esse seja o caso das ideias agora defendidas pelo advogado Omar Coêlho. É preciso esclarecer, no entanto, se ele defende mesmo intervenção. Falar no Rio de Janeiro não vale. Por lá, não existe intervenção nenhuma, mas um ostensivo apoio do governo federal nas ações de promoção da paz e enfrentamento do crime organizado. Se é isso que a OAB defende, então o governador já cobrou as ações da Presidência da República, há bastante tempo. Aliás, estamos implantando por aqui a filosofia das unidades pacificadoras, com outro nome: polícia comunitária. Programas foram assinados por ministros que aqui vieram para demonstrar apoio ao Estado. De todo modo, a receita para uma eficiente gestão pública jamais terá a simplicidade de uma panela de camarão ou de sururu. O caldo entorna.