Política
Ex-superintendente da Caixa denuncia senador Amir Lando
O ex-superintendente regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Rondônia, Oswaldo Paulo Balthazar, enviou nota à imprensa, ontem, denunciando o senador Amir Lando (PMDB-RO). Inconformado com matéria publicada na edição desta semana da revista IstoÉ, em que é afirmado que o senador teria recebido proposta de 200 milhões de dólares para inocentar o ex-presidente Fernando Collor, na época do processo de impedimento. O ex-superintendente da CEF não poupou críticas a Lando. ?Ele está envolvido em desvio de recursos. Recebeu 100 mil dólares do ex-gerente da CEF, em Ariquemes, Rondônia, conforme declaração feita a mim pelo próprio gerente. Esse dinheiro provinha de diversas irregularidades praticadas na instituição naquele município, com o apoio do próprio senador?, frisou Oswaldo Paulo. Para ele, o fato mostra que ?os verdadeiros corruptos continuam entre os que ocupam cargos públicos importantes no País?. Veja a seguir, trechos da nota divulgada pelo ex-superintendente da Caixa Econômica. ### ?Como a revista IstoÉ, muito provavelmente, não me daria nenhum espaço sobre a matéria publicada com o senador Amir Lando, na qual é afirmado que ele recusou 200 milhões de dólares para inocentar o ex-presidente Fernando Collor, solicito que divulguem estas informações a respeito desse senhor. O senador Amir Lando recebeu 100 mil dólares do ex-gerente da CEF no município de Ariquemes/RO, conforme declaração feita a mim pelo ex-gerente, senhor Luciano Menegueti, o qual foi demitido da CEF. Esses 100 mil dólares foram doados, não sei de onde vieram, para a campanha do PMDB no município de Jaru/RO, no ano de 1992. Em viagem feita em outubro/92 junto com o senhor Menegueti, quando eu era superintendente regional da CEF em Rondônia, ele me declarou que fez a doação desse dinheiro ao Amir Lando para a campanha política do PMDB em Jaru, no ano de 92. Depois, vim a saber, já exonerado da Superintendência da CEF/RO, que esse dinheiro provinha de diversos desvios de recursos praticados na agência da instituição em Ariquemes/RO, com o apoio do senador Amir Lando, totalizando 12 milhões de dólares. Os desvios foram praticados com a concessão de diversos empréstimos irregulares para a aquisição de automóveis, caminhões e equipamentos para garimpo. Não foi tomada nenhuma providência sobre as denúncias. A providência foi tomada pelo senhor Danilo de Castro, abrindo uma sindicância contra mim, com o fim de me demitir da Caixa, o que veio a ocorrer, efetivamente, em julho/96. Sem processo Uma demissão totalmente irregular, já que a CEF não entrou com nenhum processo contra mim junto ao Tribunal de Contas da União. Danilo de Castro, hoje deputado federal pelo PSDB de Minas Gerais, não teve coragem de assinar a demissão, a qual foi assinada pelo senhor José Fernando de Almeida, acusado de enriquecimento ilícito durante a sua gestão na Funcef. Como ele tem proteção de Aécio Neves nada lhe aconteceu. Infelizmente, assim tem sido nesse desgoverno de FHC. Em junho/94, ao ver que o presidente da CEF, Danilo de Castro, não havia tomado nenhuma providência contra os empréstimos irregulares da agência de Ariquemes/RO, fiz uma denúncia pública, através do jornal local ?O Estado do Norte?, sobre a doação dos 100 mil dólares ao senador Amir Lando. Foram diversas matérias e, no mês de julho/94, confeccionei um dossiê, o qual iria entregar à imprensa no Hotel Vila Rica, o que não chegou a ocorrer porque fui seqüestrado. O mandante só pode ter sido o senador Amir Lando, que deve ter contado com a conivência do atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Telecomunicações de Rondônia ? Sintel, Mariano Barbosa Lima, o qual tem esse dossiê em sua casa até hoje. Como a pressão contra mim foi muito grande, parei com as denúncias. Mas as conseqüências foram efetivas. Tanto é que o Lando não se elegeu senador no ano de 1994, para o mandato 1995/1998. Pressão Ele conseguiu se eleger em 1998, porque, simplesmente me exilou do Estado de Rondônia. Explicando. Em 1996, após ter sido demitido da CEF, fiz um concurso público para preenchimento de cargo público do TRT/RO, fui aprovado e tomei posse em março de 1998. Ao saber disso, o senador Amir Lando pressionou de todas as formas a então presidenta do TRT/RO-14a Região, juíza Maria do Socorro Costa Miranda, a me demitir, mas isso já não era possível, pois eu já havia entrado em exercício. Mas, como prêmio de consolação ao senador, ela me transferiu da sede do Tribunal Regional do Trabalho situada em Porto Velho/RO para a Vara do Trabalho localizada em Cruzeiro do Sul/AC, distante 1.200 km de Porto Velho afastando-me de minha família durante um ano, pois somente em fevereiro/99 é que consegui retornar à sede do Tribunal, em Porto Velho, onde tenho meu domicílio e convivo com minha família, devido à mudança na presidência do TRT-14a Região. Perseguição Mas o senador não deixou de continuar sua perseguição contra mim. Depois de obter junto à CEF minha demissão em julho/96, conseguiu que essa perseguição continuasse no TRT de Rondônia. Primeiramente, fui transferido para um local de trabalho distante 1.200 km de Porto Velho; em seguida, fui duramente perseguido pela direção do TRT. É evidente que tudo isso me causou diversos problemas pessoais e familiares, mas continuo firme em meu propósito de moralizar este País, num momento em que os verdadeiros corruptos e criminosos estão soltos e ocupam bons cargos públicos, eletivos ou não. Mais recentemente, tentei junto ao PHS-Partido Humanista da Solidariedade uma candidatura à Presidência da República. Acontece que o senador Amir Lando ficou sabendo e até minha expulsão do partido foi pedida pelo presidente do PHS ? Paulo Roberto do Matos. É uma perseguição insana. Na época das denúncias, em junho/94, até ameaçado de morte eu fui. Mas o senador, teoricamente paladino da moralidade pública, até hoje não conseguiu. O paladino, mais recentemente, não recebeu 200 milhões de dólares, mas deve ter recebido alguns bons cifrões para desistir de sua candidatura ao governo do Estado de Rondônia, a fim de beneficiar o atual governador, José de Abreu Bianco, o qual, diga-se de passagem, segundo denúncias, teve sua campanha anterior financiada pelo narcotráfico...?