Política
MP descarta acusa��es contra promotora
?A melhor defesa é o ataque?. A estratégia, mais usual em times de futebol, é copiada por um dos maiores escritórios de advocacia de Alagoas para acuar o Ministério Público Estadual (MPE). Após ser alvo de denúncia por causa de um contrato sem licitação com a Prefeitura de Rio Largo, o escritório Motta & Soares encaminhou uma representação para a Corregedoria do MPE contra a promotora da cidade, Amélia Carvalho Campelo, a mesma que o tinha apontado pelo crime de improbidade administrativa. A sindicância encerrada pelo corregedor-geral, Antiógenes Lira, esta semana, descartou as acusações apresentadas pelo escritório, atestando que a promotora adotou todas as providências que deveria, no exercício da sua função. De todo modo, a firma liderada pelo advogado e secretário estadual de Educação, Adriano Soares, conseguiu algo que queria. Mesmo perdendo a causa na Corregedoria, logrou êxito ao sugerir a suspeição da promotora para atuar contra ele e seus clientes. Advogados podem recorrer ao procurador-geral de Justiça Mesmo diante da avalanche de mexericos contra sua honra, como mulher, e contra sua ética, como promotora de Justiça, Amélia Campelo diz não poder dar entrevista por causa do sigilo exigido. Em contato por telefone, a integrante do MP confirma que já foi noticiada do resultado da sindicância em seu favor. O procurador Antiógenes Lira também se negou a comentar o caso. Foi lacônico. ?No words, no comments [sem palavras, sem comentários]?, brincou Antiógenes, referindo-se ao sigilo que as investigações exigem. Mesmo assim, a Gazeta apurou que, para o corregedor, o escritório de advocacia e seus representantes acusavam a promotora, querendo impor prazos ao MP, quando nenhum desses prazos legais foi descumprido. Com a conclusão da sindicância, de que não houve tempo hábil para a promotora adotar as providências exigidas por Soares e sua banca, os advogados podem recorrer à Procuradoria Geral de Justiça. A promotora Amélia foi orientada por seu advogado, Delson Lyra, a só se manifestar sobre o episódio após o julgamento do recurso. Ameaças e calúnias circularam em Rio Largo Em reportagem exclusiva da Gazeta, publicada em 24 de julho, a promotora revelou que estava recebendo ameaças de morte. ?Atendi uma ligação, em junho, com uma voz agressiva dizendo: ?Você vai sair de Rio Largo de qualquer jeito; por bem ou por mal?. Quando acabou o recesso de São João e eu voltei ao trabalho, no início de julho, outro telefonema com a mesma voz: ?Você é teimosa, né?! Quem paga para ver, vê demais...??, revela Amélia, que atua na comarca há oito anos e não pretende sair de lá. Amélia sempre deixou claro que não acusa Soares pela ameaça, e nem que o apontou como um bandido, mas apenas o denunciou por ter usado um contrato irregular que causou dano ao erário.