Política
Vereador queria cassa��o de prefeita
Anadia ? Este domingo seria um dia festivo no município de Anadia. Toda a classe política estava convidada para ver, durante a Convenção Municipal do Partido Popular Socialista (PPS), o que seria a aclamação do nome do vereador e médico Luiz Ferreira de Souza como pré-candidato a prefeito do município que o viu nascer há quase 61 anos. Por convicção, conveniência política ou partidária ? ou ainda para se produzir um álibi antecipado ?, a candidatura do doutor Luiz Ferreira já havia recebido apoio verbal de todos os oito colegas do Legislativo Municipal e da prefeita Sânia Tereza Teixeira (PT). Alimentado após cada um dos atendimentos gratuitos que o médico renomado realizava, até mesmo no meio das ruas de Anadia, o sonho de tentar beneficiar sua terra natal conduzindo as políticas públicas como chefe do Poder Executivo Municipal parecia ter tudo para virar realidade. Mas virou pesadelo para a família e a população, há uma semana, ao ser interrompido por 13 disparos de arma de fogo, cujos estampidos ecoaram pela campina da comunidade da Tapera, entre Maribondo ? de onde o vereador vinha após anunciar sua pré-candidatura em um programa de rádio ? e Anadia, na esburacada AL-450, no início da tarde do último dia 3. Candidatura seria oficializada hoje Após a Convenção Municipal do PPS, que acontece hoje em Anadia, toda a classe política local se reuniria para celebrar o lançamento do nome de Luiz Ferreira na disputa pela Prefeitura. O encontro também seria a inauguração da reforma da casa do médico e vereador em Anadia, onde permanecia quando não estava exercendo a medicina e o magistério na capital. Apesar de a prefeita Sânia Tereza continuar declarando que seu candidato a prefeito seria o vereador Luiz Ferreira, o clima não estaria tão confortável assim para ela, se ela estivesse hoje prestigiando o evento. Isso porque, caso não tivesse faltado energia exatamente no horário da sessão do último dia 1º, a prefeita poderia ser afastada ainda esta semana. Luiz Ferreira tinha rotina simples Sua rotina semanal iniciava na capital, como professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), atendimentos e cirurgias de emergência no Hospital Geral do Estado (HGE), Hospital do Sanatório e SOS Unimed. Na terra natal, chegava na quinta-feira, participava das sessões da Câmara, à noite, e, no dia seguinte, atendia pacientes da Unidade Mista de Saúde Senador Rui Palmeira. Para muitos destes pacientes, Luiz Ferreira conseguia marcar cirurgias que ele mesmo realizava na capital. Na semana passada mesmo, quatro cirurgias deixaram de ser realizadas. Segundo populares e pessoas próximas ouvidas pela Gazeta, o vereador não tomava nenhuma precaução quanto à sua segurança pessoal. Dias antes de ser assassinado, fez caminhadas sozinho, como de costume. Sânia Tereza insinua complô contra ela Anadia ? Um dia depois de convocar a imprensa para uma coletiva na sede da Delegacia Geral da Polícia Civil, em Jacarecica, onde apareceu ao lado do marido, Alessander Ferreira Leal, cobrando mais segurança para o seu município e exigindo apuração rigorosa e célere do delegado-geral-adjunto Mário Jorge Marinho, a prefeita de Anadia, Sânia Tereza Teixeira (PT), disse à Gazeta que não teme ser presa pelo crime, mas teme pela sua vida e da sua família. Em entrevista exclusiva, na manhã da sexta-feira (9), a prefeita petista demonstrou que não aceita o que chamou de direcionamento da cobertura da imprensa para colocá-la na alça de mira da polícia como principal suspeita do assassinato do vereador, a quem chama de amigo, entre repetidos elogios à sua conduta moral e política. Acompanhada do marido, que interrompeu a entrevista três vezes para complementar suas respostas, a prefeita deu informações sobre o contexto político que tiravam seu nome do foco das suspeitas de autoria do crime. Família acredita em crime político Partidário de Luiz Ferreira, mas aliado da gestão municipal, o vereador José Vanildo Barbosa, conhecido como ?Vânio Aprígio? (PPS), lamenta o fato de ?Anadia ter perdido um homem de bem?. Mas disse que ?não existe a possibilidade da prefeita Sânia estar envolvida?, porque o colega era aliado e tinha pré-candidatura apoiada pela petista. A posição de Vânio passa longe do entendimento da família de Luiz Ferreira, que além de proibir a entrada de políticos em seu sepultamento, no Parque das Flores, em Maceió, mandou recado à classe política local na última quinta-feira, quando se recusou a dividir o plenário da Câmara de Anadia com os colegas vereadores e demais políticos que organizaram um ato público de repúdio ao assassinato. Na ocasião da homenagem no Legislaivo, somente seu cunhado, o procurador da Câmara João Sapucaia, compareceu ao evento. E disse que a família não quer vingança ou retaliação. Mas exige Justiça, porque Luiz Ferreira não tinha inimigos no campo pessoal. E afirmou ainda que o único problema que ele passou a ter foi por conta de sua atuação como vereador. Vice-prefeito rebate afirmações O vice-prefeito José Augusto demonstrou não conseguir conter as lágrimas, durante a homenagem da Câmara de Anadia ao seu primo, o vereador Luiz Ferreira. No dia seguinte, por telefone, ele atribuiu à política de Anadia a morte do parente e colega de partido. E disse já ter anunciado, há mais de seis meses, que não seria mais candidato a nada, por ter se ?enojado? da política. ?Política, para mim, acabou. Se ela disser isso, está jogando, é mentirosa. Estou com nojo da política, principalmente depois que ela ganhou a eleição em Anadia. É um jogo sujo, nojento desse povo?, disse Augusto, ao complementar que a proximidade de uma possível cassação do mandato da prefeita teria pesado para ocorrer o crime. ?Eu fazia questão de o candidato ser ele. É estranho, campeão, a prefeita dizer que eu disputava com ele a vaga. Eu acho que ela está jogando [a autoria do crime] para qualquer pessoa. Só quero que pague quem realmente cometeu o crime. Não digo que foi ela. Quem cometeu que pague?, concluiu.