Política
Oposi��o s� sabe falar, diz governador
As denúncias são graves, o discurso da novata oposição se inflama, mas o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) tenta manter o estilo blasé. Um dia após o governo ser acusado, no plenário da Assembleia Legislativa (ALE), de manobras para evitar licitações e desvio de recursos na duplicação da rodovia AL-101 Sul, Vilela evita a briga e rebate as críticas bem ao seu modo, sem acirrar a polêmica. ?A oposição vai fazer o quê? É falar, falar, falar... faz parte?, resumiu o governador ao chegar para uma solenidade na Escola Superior da Magistratura (Esmal), no Farol, na manhã de ontem. Os deputados de oposição centraram fogo na decisão do governo de decretar estado de urgência na educação e destinar R$ 40 milhões para reformar 151 escolas com a estrutura em frangalhos. O deputado Olavo Calheiros (PMDB) foi o mais ríspido ao declarar que ?o governo foge da licitação como o diabo da cruz?, referindo-se ao decreto de urgência que dispensa a concorrência pública para as reformas. ?Esta frase do deputado é uma frase de efeito. Bonita, mas vazia, totalmente vazia porque não procede?, ponderou Vilela. PISTOLAGEM Como o deputado Cícero Ferro (PMN) reforçou os ataques ao governo, alertando para o risco de novos crimes políticos no Estado, o governador mandou um recado para ele. ?Crime de mando em Alagoas, o deputado Cícero Ferro sabe bem disso, hoje não há proteção, eles são investigados com total isenção?, disse Vilela, numa clara alusão ao fato de o parlamentar já ter sido indiciado e preso por assassinatos que teria encomendado a pistoleiros. Com o surgimento de uma oposição mais ferrenha e proximidade de uma nova campanha eleitoral, a Gazeta indagou o governador sobre a relação com o ex-aliado histórico, senador Renan Calheiros (PMDB), irmão do deputado Olavo: ? Após décadas de união, a separação caminha para um divórcio litigioso ou amigável? ? Você leu o jornal de dois anos atrás, não foi não? Porque esse divórcio já aconteceu lá atrás... Eu não brigo com ninguém, você já viu eu brigar com alguém? ? Então posso escrever que o divórcio é amigável? ? Não, não é divórcio. É trabalho, às vezes um vai para um lado, outro para o outro, há um distanciamento, mas não tem essa coisa de divórcio. Divórcio é com quem é casado. Obviamente a resposta do governador foi acompanhada pelas risadas de secretários, assessores e da comitiva que sempre o cerca. Começava a chover, mas ele continuou falando. Após o bate-pronto com a Gazeta, Vilela mandou recado, pedindo para voltar a falar com nossa reportagem, numa entrevista exclusiva. Abaixo, seguem alguns trechos, tanto da coletiva embaixo do sereno, como da exclusiva complementar, já sob o abrigo do auditório da Escola da Magistratura. Para Vilela, decreto é necessário OPOSIÇÃO NA ASSEMBLEIA É fundamental que haja a bancada da oposição e a bancada do governo, para que haja o contraditório, para que as ideias sejam postas à luz. Quanto a essa coisa de fugir da licitação como o diabo da cruz... Quando há uma emergência tem que fazer. É o caso das escolas. Nós íamos deixar as escolas caindo? Não é possível. Mas, no mais, há licitação em tudo. O deputado [Olavo Calheiros] está fazendo o papel dele, de oposição, a oposição tem que falar. E é bom isso, não é mal não. DENÚNCIA DE QUE URGÊNCIA NA SEGURANÇA PÚBLICA NÃO TERIA SURTIDO EFEITO Aconteceram dois decretos seguidos, por seis meses depois mais seis meses, com objetivo de adquirir viaturas, armas, equipamentos. E esse objetivo foi alcançado. A polícia se reequipou e os recursos, no valor de aproximadamente R$ 20 milhões, foram destinados a esse propósito, de uma forma bem sucedida, todo procedimento foi acompanhado pelo Ministério Público e Procuradoria-Geral do Estado, assim como esse atual decreto será permanentemente acompanhado, como procuramos fazer de uma forma geral no nosso governo, com transparência para que a sociedade como um todo acompanhe as nossas decisões. No Detran também foi assim. PROJETO GERAÇÃO SABER Essas reformas das escolas eram para ter sido feitas no ano de 2010, mas foi um ano difícil de trabalhar em obras porque era um ano político-eleitoral. Nos três primeiros meses tivemos problemas de orçamento, aí não podíamos fazer licitação. Depois veio a emenda do Rui Palmeira [deputado federal do PSDB-AL] que proibia seis meses antes da eleição fazer qualquer contrato de serviço, depois a própria legislação eleitoral, então foi uma sucessão de coisas. URGÊNCIA EM OUTRAS ÁREAS SOCIAIS, COMO SAÚDE OU SEGURANÇA Não. Foi só no caso das escolas, que estavam caindo, isso não pode ser admitido, não pode ser tolerado. É única e exclusivamente (o decreto de urgência) para recuperação de escolas em estado crítico.