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Tecnologia “sabota” greve dos banc�rios

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O pagamento de cerca de 24,5 mil servidores do Estado que têm salários de até R$ 2 mil e dos 18,4 mil do município, que receberam na última sexta-feira, provocou filas em muitas agências porque alguns deles temiam que a greve dos bancários de alguma forma inviabilizasse a liberação do dinheiro. Mas a mesma automação bancária que garantiu aos servidores sair do banco com o dinheiro no bolso é um dos principais adversários enfrentados pela categoria, que registra casos de sequelas motoras provocadas pelos movimentos repetitivos, e problemas psicológicos, devido ao assédio moral. A pressão por metas, segundo eles cada vez mais inacessíveis, adquiriu tal proporção que virou item na pauta de reivindicações das campanhas salariais nos últimos anos. ?Temos, aqui mesmo, uma colega que teve de cortar o cabelo bem curto. Sabe por quê? Porque não podia mais penteá-lo, porque teve os movimentos das mãos comprometidos pelo trabalho no banco. Ela ficou com as sequelas das lesões por movimento repetitivo?, diz Jairo França, presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas. Categoria cobra salário maior O presidente do Sindicato dos Bancários, Jairo França, reforça que não mistura a atividade sindical com a sua filiação partidária. ?O governo da presidente Dilma já anunciou ser contrário à concessão de aumento real. Era o que os banqueiros queriam. Mas não é porque eu sou filiado ao PT que tenho que me colocar favorável a isso. Na nossa atividade como sindicalista, temos que adotar posições independentemente do partido. Além do mais, as críticas que fazemos ao governo são pontuais. Mas quando o governo adota uma posição que vai de encontro à posição dos trabalhadores, ficamos contra o governo. Não há problema nenhum nisso?, diz. Mesmo na condição de integrante de linha política diversa, bem como de outra conjuntura do sindicato, o ex-presidente Claudionor Araújo reconhece a independência da gestão sindical da legenda política. Hoje, 60% das operações em um banco são eletrônicas Outra dificuldade significativa enfrentada pelo Sindicato dos Bancários no comando de greves é o índice de automação bancária. ?Hoje, 60% das operações em um banco podem ser realizadas eletronicamente. Há cerca de dez anos, quando fazíamos greves, se fechávamos o caixa, parávamos o banco?, relembra. A automação, vantagem para o cliente, na visão dos sindicalistas que representam a categoria, atinge os bancários ao tirar a possibilidade de mobilização, durante uma greve, ao provocar desemprego. Mas o ganho de tempo e produtividade que isso poderia representar, segundo eles, acabou substituído pela exigência do cumprimento das metas; motivo de problemas, em si mesmo, e do assédio moral de que a categoria acusa os superiores, que cobram seu cumprimento.

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