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Desabrigados temem chegada do ver�o

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Pessoas que vivem nos acampamentos para vítimas das enchentes de 2010 dizem encarar com expectativa e muita apreensão a possibilidade de passar o segundo verão sob as barracas de lona, cuja maior desvantagem é o intenso calor durante o dia. Há pouco mais de um mês, a realidade dos flagelados foi tema de reportagem da série JN no Ar. A equipe do Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou as condições em que as famílias vivem, comparadas a ?campos de refugiados?. Entre os problemas estava a situação da lona das barracas, o que fazia com que muitas estivessem já se desfazendo, como descreveu o repórter André Luiz Azevedo, que percorreu as cidades de Santana do Mundaú, União dos Palmares e Branquinha. Para tentar contornar o problema, os responsáveis pelas moradias provisórias (a denominação oficial que recebeu o acampamento da cidade de Branquinha) conseguiram de outros municípios a doação de barracas para substituir as que estavam no local havia mais de um ano. Ociosos, adultos viram alcoólatras Do consumo do álcool vêm a desagregação familiar e as brigas entre vizinhos. ?Às vezes, você não consegue dormir à noite, de tanta briga, gritaria e bebedeira?, relata Tamires, que tem um filho mas procura mantê-lo distante do acampamento. ?Pela manhã, ele vai para o Peti [núcleo local do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil] e, de tarde, para a escola. Só chega em casa na hora de entrar, cinco da tarde. E, depois disso, não deixo mais ninguém sair?. Segundo a coordenação, nessas condições, as crianças são vítimas, por um lado, do abandono familiar. Do outro, se envolvem com mais frequência em desentendimentos com outras crianças ? o que, por vezes, leva às desavenças entre moradores adultos.

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