Política
Ele financiava a esquerda em Alagoas
O historiador Geraldo de Majella lança, na quarta-feira (19), o livro Mozart Damasceno, o Bom Burguês, que conta a história de um capitalista que utilizou o lucro do seu negócio de secos e molhados para financiar o diretório alagoano do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante 42 anos. A obra resgata a história de uma personagem pouco conhecida do grande público e que transitava com desenvoltura entre os latifundiários e intelectuais de esquerda que desafiavam a ditadura militar no clandestino partido representado pela foice e pelo martelo. ?Ser comunista numa região daquela, em meio a plantadores de cana e latifundiários, era algo espantoso naquela época. Não era nada comum, e essa opção partidária também não era bem vista?, explica o historiador, referindo-se a Murici, onde nasceu e viveu o burguês de coração bom. Primogênito da união entre Hermes Ernesto Damasceno e Maria do Carmo Verçosa Damasceno, Mozart Verçosa Damasceno nasceu em 1925, três anos depois da fundação da agremiação partidária cuja base ideológica sustentava-se nos pensadores Karl Marx, Friedrich Engels e Vladimir Lênin. Excursão comunista para a Rússia Em abril de 1964, os policiais foram buscá-lo em sua residência. Foi abordado pelo soldado Ferreira, acusado de ser torturador de detentos, e levado ao cárcere na capital. Felizmente ? recorda Majella ? livrou-se da pancadaria. Ao autor do livro, explicou o porquê de não ter sido humilhado. ?Preso comum eu não sei. Mas preso político parece que ele respeitava, porque merece respeito. Qual é o crime do preso político? Desejar uma sociedade melhor para a humanidade??. Cinco anos antes de ser preso, acusado de ser comunista, Mozart tornou real um sonho seu e do amigo Jaime Miranda. Reservou parte de seus recursos e convidou o parceiro para uma viagem à União Soviética (URSS).