Política
Empres�rio nega uso de dinheiro p�blico
Sérgio Gomes de Barros tenta retomar a rotina e só fala em continuar a luta de cabeça erguida. Ele é sócio da academia Top, alvo da Operação Rodoleiro, desencadeada pela Polícia Federal na quinta-feira, dia 20 de outubro. A empresa, na orla da Pajuçara, num prédio imponente, todo revestido em madeira, abriu as portas em 2008 e desde 2009 está na mira dos agentes federais. A suspeita é que a academia, um empreendimento de R$ 1,2 milhão, foi erguida com dinheiro público, desviado da folha de servidores do Tribunal de Contas do Estado (TCE), especificamente do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Até 2008, Sérgio era o gerente da agência do Bradesco que movimentava as contas do TCE. Depois disso, ele se associou ao filho do diretor de pessoal do Tribunal e abriu a academia. Em parceria com a Receita Federal, a PF teria estranhado as informações fiscais referentes à Top. Os valores informados pela empresa seriam incompatíveis com seu porte. Na quinta-feira retrasada, enquanto a academia era vasculhada pela Polícia Federal por volta das 5h, Sérgio era preso em seu apartamento, de onde os agentes também levaram documentos. Dois diretores do Tribunal de Contas do Estado foram detidos no mesmo dia. Provas da fraude são robustas, diz a PF A Operação Rodoleiro movimentou 29 servidores da Receita Federal e 80 agentes da Polícia Federal, no dia 20 de outubro. Eles cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão, nas cidades de Maceió, Barra de Santo Antônio e Atalaia. Nesse último município, 102 cavalos foram apreendidos em um haras, também suspeito de ter sido adquirido com dinheiro público, desviado do Tribunal de Contas do Estado. O esquema teria rendido R$ 100 milhões aos envolvidos. As investigações ocorrem desde 2009 em segredo de Justiça e não têm data para terminar, segundo informou o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Amaro Vieira. Na última sexta-feira (28), ele recebeu a Gazeta e afirmou que, até o momento, os três presos na operação continuam indiciados. José Barbosa e Dêvis Portela de Melo foram soltos ontem, sábado. Eles são diretores do TCE. O empresário e ex-gerente de banco, Sérgio Gomes de Barros, dono da academia Top, foi liberado antes, na segunda-feira passada. Acusado já tem processo na Justiça Suspeito de participação no esquema de desvio de recursos do Tribunal de Contas do Estado, o empresário Sérgio Gomes de Barros, sócio da academia Top, na orla da Pajuçara, já foi processado quando exercia a função de gerente do Bradesco, banco que mantinha um posto dentro do TCE. Em 2008, uma microempresária, sócia de uma doceria, procurou a imprensa e acusou o ex-bancário de fraudar documentos com objetivo de desviar recursos da sua conta. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil. Em entrevista à Gazeta na última quinta-feira, Sérgio Gomes falou sobre o processo. Segundo ele, a instituição bancária realizou auditoria e não conseguiu provar nada. ?O banco fez um levantamento, mostrou que não houve irregularidade, eu tenho documentos que provam isso. Foi feita auditoria. Também tenho processo contra ela, mas está estacionado?, disse o empresário na academia.