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Fam�lia D�maso espalha medo e crimes no Par�, segundo a PF

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Vitória do Xingu (PA) ? Algo mais ameaçador que os alagamentos previstos pela construção da maior hidrelétrica do Brasil já dominou um território de dimensão maior que a dos 11 municípios da região da Grande Maceió e pode ter causado prejuízo de R$ 17,9 milhões para a humilde população de 13,4 mil habitantes que vive dispersa no município paraense de Vitória do Xingu. O temor contra o qual a Justiça vem atuando nos últimos dois meses foi alvo da Operação Pandilha, da Polícia Federal (PF). E o ex-prefeito de Marechal Deodoro José Danilo Dâmaso de Almeida é acusado de liderar e financiar atos criminosos cometidos pelo seu filho e prefeito do município paraense, Liberalino Ribeiro de Almeida Neto (PTB). Para contar o enredo desta história de corrupção, violência, perseguição política e escândalos sexuais, a Gazeta desembarcou na última terça-feira (25) na região marcada por mortes causadas por conflitos pela demarcação de terras indígenas e pela ação ilegal de madeireiras e grileiros. Em três dias, a reportagem teve acesso a informações obtidas por meio do relato oficial e dos denunciantes. E trouxe imagens de obras fraudadas, do patrimônio do clã dos gestores ?importados? de Alagoas. Além de mostrar o cenário de abandono de um município tomado por lixo e urubus. ?Eu sei que vou acabar assassinada? Altamira (PA) ? Com o apoio do prefeito Liberalino Ribeiro de Almeida Neto (PTB), Elsa Laire Dall?Acqua foi eleita vereadora em 2008 e presidente da Câmara Municipal de Vitória do Xingu, no ano seguinte. Mas diz ter rompido a aliança política com o prefeito ainda em 2009, após ter conhecimento das falcatruas cometidas com as obras públicas e com a exploração de menores em Vitória do Xingu. Ela é citada no inquérito da Polícia Federal como denunciante da grande parte das ilicitudes e vítima do poder político do grupo liderado pelos alagoanos. E diz ter certeza de que será assassinada por isso. A partir da exposição de sua indignação, a então vereadora perdeu sustentação de todos os colegas vereadores para se reeleger presidente da Câmara; viu seu tio Euclides Soares da Silva ser morto em novembro de 2009, após ser alertada para que parasse com as denúncias; assistiu a uma campanha desmoralizadora, em fevereiro deste ano, com a divulgação em massa de DVDs com imagens suas fazendo sexo oral com um homem que não seria seu atual marido; teve seu mandato cassado, em maio deste ano, por quebra de decoro parlamentar e denúncias de compras superfaturadas sem licitação e apropriação indébita de contribuições previdenciárias. Esquema ?lava? dinheiro desviado de Alagoas Vitória do Xingu (PA) ? Segundo o inquérito da Polícia Federal conduzido pelo delegado Paulo Celestino Bittencourt Kisner, o know-how obtido no passado de crimes cometidos pela família Dâmaso é a referência maior do modo de atuação da intrépida organização criminosa que comprovadamente já desviou R$ 5,2 milhões de projetos que beneficiariam a população vitoriense. A PF afirma que a família pratica lavagem do dinheiro desviado por Danilo Dâmaso da Sudam, no início deste milênio, no Pará ? alvo da Operação Cadeião ?, e da merenda escolar, em 2005, em Marechal Deodoro-AL ? alvo da Operação Guabiru. Mas ressalta que o esquema no município paraense é cometido com ousadia ímpar e alto poder intimidador. Por conta disso, na última terça-feira (25), a juíza federal de Altamira, Lucyana Said Daibes Pereira, atendeu ao pedido do Ministério Público Federal para afastar, por 90 dias, o prefeito Liberalino e os demais ocupantes de cargos no município, envolvidos no esquema. Suspeitas de casos de pedofilia também são investigadas A ex-vereadora Elsa Laire Dall?Acqua afirmou que a denúncia de pedofilia, feita no início deste ano, despertou a ira do grupo político liderado pelos alagoanos. Ela diz que, somente uma semana após a deflagração da Operação Pandilha, todas as adolescentes puderam ser ouvidas por policiais federais e procuradores do Ministério Público Federal (MPF), inclusive a aliciadora. Na última terça-feira (25), o procurador do MPF em Altamira, Cláudio Terre do Amaral, confirmou à Gazeta ter conhecimento da denúncia de pedofilia. Mas afirmou que somente deverão atuar no caso os integrantes da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Pará. Procurado pela reportagem, na tarde da quarta-feira (26), no Fórum da Comarca de Altamira, o promotor Edmilson Leray demonstrou nervosismo e irritação ao ser questionado sobre a acusação de prevaricação com relação às denúncias contra o prefeito. Ao negar ser amigo de Liber ou ter prevaricado, Leray atacou a ex-vereadora, a quem chamou de ?prostituta safada? e disse ter denúncias contra Elsa.

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