Política
ONGs temem corte de recursos p�blicos
Das ações caridosas de igrejas da metade do século passado para o festival de denúncias que derrubou o ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB) na última semana de outubro. As Organizações Não Governamentais (ONGs) atravessaram o tempo deixando para trás a atuação acanhada para virar protagonistas no cenário político nacional. Elas estão por toda a parte e, segundo estudo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 388 mil no Brasil. Cerca de 100 mil receberam recursos do governo federal, só no ano passado. Em 2010 foram liberados R$ 5,3 bilhões. Este ano, as doações já passaram de R$ 3,2 bilhões. A conta é alta e a falta de controle também. Sem legislação que regule suas performances sociais, as ONGs transitam em caminhos extremos. De aliadas, podem virar vilãs. Com a suspeita crescente de desvio de verba minando ainda mais o seu ministério ? Orlando Silva, o 6º ministro que deixa o governo, caiu porque estaria envolvido num esquema de corrupção em parceria com uma ONG esportiva ?, a presidente Dilma Rousseff não quis mais conversa. Mandou fechar a torneira. Por decreto, suspendeu por 30 dias todas as remessas de dinheiro para toda e qualquer ONG conveniada com o governo federal, seja ela qual for. Ativistas de AL condenam decreto do governo federal Em Alagoas existem 2.346 ONGs, de acordo com a pesquisa mais recente do IBGE sobre o setor. O polêmico decreto da presidente Dilma Rousseff, publicado após a derrubada do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que mesmo dizendo ser inocente foi demitido, não alterou a rotina das organizações alagoanas, mas ajudou a desvendar a insatisfação com a falta de critérios e de fiscalização na concessão de recursos públicos a entidades criadas, pelo menos teoricamente, para fazer o bem. A Gazeta ouviu coordenadores de ONGs com atuação no Estado e a opinião é uma só: o próprio governo tem culpa da confusão em que se meteu. José Roberto Fonseca é sócio fundador e diretor presidente do Instituto Eco-Engenho, há dez anos atuando em Alagoas, com projetos de desenvolvimento sustentável. Com veemência e revolta, ele disse que o decreto da presidente Dilma não tem o menor sentido. Muito menos a declaração do ministro Aldo Rebelo, que já avisou que as ONGs não serão prioridade. ?O Estado não deveria terceirizar ações sociais? Formado em Serviço Social em 1999, o secretário municipal de Assistência Social, Francisco Araújo, tem opinião parecida com a do ministro alagoano Aldo Rebelo. Para ele, o poder público deve assumir as políticas públicas, evitando tornar-se refém das ONGs. ?O Terceiro Setor só existe por causa do sistema capitalista. À medida que o Estado foi se omitindo, as ONGs ganharam espaço?, explicou o secretário, ao completar: ?O ideal seria que o próprio governo desse conta das demandas públicas. Desde a época da faculdade eu defendo esta visão. Não tenho nada contra as ONGs, mas não acho correto o Estado terceirizar a assistência social?, opina Francisco Araújo, secretário há um ano e meio em Maceió.