Política
Jornalismo desenha a hist�ria da sociedade
Para onde segue o jornalismo brasileiro? Qual será o destino da imprensa no Brasil? Com a revolução tecnológica e a facilidade de publicar na internet, o que acontecerá com a figura do jornalista? São perguntas que se multiplicam nas redações e inquietam os profissionais. A incerteza divide as opiniões de estudiosos. Na tentativa de prever o futuro, o olhar para o passado se torna convidativo. É preciso voltar para o início do século 19 para ver como nasceu a imprensa no País e conhecer a trilha que a trouxe até aqui. Refazendo o caminho do jornalismo brasileiro, a história do noticiário impresso alcança os dias atuais ainda com muitos mistérios a revelar nos capítulos seguintes. Sem tipografias, sem jornais e sem universidades, o Brasil descortinou o século 19 atrasado na lida com as letras. O resto da América Latina já lia noticiários fazia tempo. Num navio português, de braços dados com a família real, a imprensa brasileira aportou no país. Foi em 1808 que o primeiro equipamento, a Impressão Régia, chegou ?ao paraíso perdido?. Antes disso, qualquer tentativa de publicação era reprimida com violência. Livros, panfletos ou qualquer outro tipo de escrita eram terminantemente proibidos. Só aliada ao poder, a notícia começou a conquistar espaço por aqui. Debate era difícil nos ?anos de chumbo? Com a chegada do século 20, a imprensa brasileira foi colocada em xeque, parecido com hoje, diante da internet. Surgia o rádio, em 1923. O concorrente falante forçou melhorias na estrutura dos jornais. Vieram os linotipos e as máquinas de escrever para agilizar o trabalho dos jornalistas e melhorar a qualidade da impressão. Na década de 1930, o jornalismo volta a sentir o peso do Estado e até os ?anos de chumbo?, ganha o cenário nacional o chamado jornalismo político. A publicidade privada começa a consolidar-se no mercado das letras. Surge a TV, mas os jornais seguem na preferência. Mas como o rádio obrigou o jornalismo impresso a modernizar-se, a TV fez o mesmo. A partir de 1950, o texto jornalístico começou a inspirar-se na objetividade americana, obedecendo ao chamado lide. A diagramação ficou mais atraente e a divisão dos assuntos fez surgir as editorias. Porém, com o autoritarismo dos governos militares, os debates políticos perderam espaço nos jornais, que começam a investir mais na visibilidade do desenvolvimento econômico. As editorias de Economia revelam times de jornalistas especializados, que a partir da década de 1980, com a crise financeira do Brasil em decorrência da inflação descontrolada, ganharam ainda mais notoriedade. Apuração rigorosa é a essência da boa notícia de São Paulo (USP) tem uma visão otimista do futuro do jornalismo no Brasil. Apesar de reconhecer que o jornalismo impresso caminha para o fim, ele tranquiliza. ?Vamos com calma que o mundo [do texto] está longe do apocalipse?. Questionado pela Gazeta se os jornais impressos estão com os dias contados, ele diz que com os dias contados não, mas ?com as décadas contadas, é claro. O que não é problema nenhum?, afirma o professor. ?Nos Brics [países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] o declínio da circulação dos meios impressos vai demorar um pouco mais do que na Europa ou nos EUA, mas também deve acontecer?. Com as redes sociais e os blogs produzindo notícias a todo vapor, Eugênio Bucci não acredita na perda de leitores para as grandes reportagens. ?Uma revista que só faz crescer [mesmo no papel] é a The Economist, que prestigia muito as grandes reportagens, com profundidade, e as edições temáticas. No Brasil, temos agora o crescimento, ainda que gradual e vagaroso, da Piauí. Os tablets também vão revalorizar o bom texto?, prevê ele.