Política
Pesquisas confundem cabe�a do eleitor e influenciam voto
Se alguém tivesse a missão de redefinir o papel da pesquisa eleitoral na política brasileira, teria certamente extrema dificuldade. A pesquisa, mais do que uma amostragem e do que fonte de informação, se transformou em uma verdadeira instituição, com poderes de construção e destruição de candidaturas. Num país, onde muitos eleitores ainda gostam de votar em quem está supostamente na liderança da corrida eleitoral ? ?para não perder o voto?- a pesquisa não causa apenas confusão. Ela de fato pode interferir no resultado eleitoral, à medida que induz o eleitor a votar em candidato A, B, C, D ou E. O candidato Ciro Gomes é um exemplo desta realidade. Foi para o céu e de lá caiu ao inferno eleitoral, em menos de um mês. Assim com Serra e Garotinho, seus concorrentes diretos, Ciro se queixou dos institutos eleitorais e conseguiu, na Justiça, o direito de conhecer, em detalhes as metodologias das pesquisas. Em Alagoas, a realidade não é diferente. Ao contrário, a situação no Estado é muito mais complexa, especialmente na disputa para o governo do Estado, onde é detectada a maior polarização das eleições deste ano. No fim de agosto, a TV Pajuçara divulgou pesquisa do Instituto Vox Populi ? Collor apareceu em primeiro, com 41% e Lessa em segundo, com 37%. Na semana seguinte, a TV GAZETA divulgou Pesquisa Ibope, realizada entre os dias 1 e 4 de setembro, com as posições invertidas ? Lessa apareceu com 43% e Collor com 38%.Em ambos os casos, os resultados apontavam empate técnico, dentro da margem de erro dos institutos ? no caso do Ibope, de 3,5% para mais ou para menos. Na mais recente pesquisa eleitoral divulgada no Estado, realizada pela Falpe (Instituto Folha Alagoana de Pesquisa), no último domingo, novamente as posições se invertem. Collor aparece 43,5% contra 40,25% de Lessa. A pesquisa, cuja margem de erro de 2% revela empate técnico, entrevistou 8.793 eleitores em 30 municípios. Mesmo com a margem de erro, as pesquisas geraram confusão na cabeça do eleitor. E, mais do que isso, serviram para influenciar ? e muito ? o eleitorado.