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“� preciso acabar com as mil�cias”

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O deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL) voltou ao Brasil na última quarta-feira (16), depois de deixar o País a convite da Anistia Internacional, por ter recebido sete ameaças de morte feitas por milicianos somente no mês de outubro. O motivo das ameaças foi sua atuação como relator da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que indiciou 225 paramilitares em 2008. Além de lhe render a notoriedade que garantiu sua reeleição em 2010, com a segunda maior votação, para seu segundo mandato na Alerj, com mais de 177 mil votos, o trabalho de Freixo inspirou o cineasta José Padilha a compor o personagem Diogo Fraga, do filme Tropa de Elite 2. Mas a condução da CPI também tem lhe cobrado um preço alto: 27 ameaças recebidas de milicianos. Três dias depois de retornar de Madri, na Espanha, onde esteve desde o dia 1º deste mês, o deputado fluminense conversou com a Gazeta na sexta-feira (18) e expôs suas impressões sobre a ocupação da favela da Rocinha, a prisão do traficante Nem e a migração de traficantes do Rio para outras regiões do País, a exemplo do traficante Saulo da Rocinha, preso em 20 de janeiro de 2008 em Maragogi, Alagoas. Para o deputado carioca, ocupação da Rocinha deve ter ações sociais Gazeta. O senhor aprova as últimas ações de ocupações de favelas tidas como dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro? Marcelo Freixo. Sempre é importante a presença do Estado nas comunidades. É evidente que o Estado, quando entra sem confronto, sem dar nenhum tiro, e ocupa os espaços, é claro que isso é importante. Melhor a presença do Estado do que a presença do crime. Isso é inquestionável. Agora, nem tudo está resolvido. Mas quem entrou foi a polícia. Precisamos saber quando é que o Estado entra, quando é que entra uma política de educação, de saúde e de saneamento básico. Senão a gente vai continuar reproduzindo a ideia de que o morro só precisa de polícia, o que não é verdade. A dignidade das pessoas não pode depender do CEP. Está havendo mutirões de ações de cidadania, não é? Não está havendo. Tem três anos de ocupação militar, de polícia, mas não tem os direitos sociais. Isso não está acontecendo. Nos lugares em que tem UPP há três anos, não houve avanço nas áreas de educação, de saúde e de saneamento. Este é o meu questionamento. Então as UPPs não estão cumprindo papel importante? As UPPs cumprem papel importante de retirada do crime e do braço armado. Mas não cumprem o papel de garantir a dignidade da vida das pessoas para além da ação policial. Isso não está sendo feito. E isso coloca em risco o próprio projeto das UPPs.

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