Política
Policiais civis denunciam persegui��o pol�tica do governo
Os policiais civis recém-nomeados estão sendo obrigados a participar de comícios e atos políticos do candidato ao governo do Estado Ronaldo Lessa, conforme denúncia anônima feita à GAZETA e confirmada pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Carlos Jorge da Rocha. O sindicalista diz ter sido procurado por vários agentes de polícia que revelam estarem sendo perseguidos por não participar da campanha política do atual governador do Estado. Segundo Carlos Jorge, a situação dos novos policiais é agravada pelo fato de estarem em estágio probatório, o que facilita para o governo a moção de um processo de desligamento do serviço público, caso as ordens de participar da campanha política sejam descumpridas. ?Muitos estão, inclusive, vestindo camisa e empunhando bandeiras nos comícios de Ronaldo Lessa. Um absurdo!?, afirmou o presidente do Sindpol. Carlos Jorge ressaltou que a atitude do candidato Ronaldo Lessa é, no mínimo, antidemocrática, uma vez que não é atribuição dos novos agentes de polícia trabalhar na campanha eleitoral. Os policiais recém- nomeados também estariam sendo coagidos na Academia de Polícia Civil de Alagoas (Apocal) para que não participem da greve da categoria. ?A greve é direito de todo trabalhador e ninguém pode ser punido por participar do movimento?, ressaltou. Despreparados O presidente do Sindpol afirmou, ainda, que os novos policiais, mesmo despreparados e desarmados, serão obrigados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) a trabalhar nas eleições de 6 de outubro. A ordem é para que a SDS encaminhe os novos agentes a delegacias próximas ao local em que votam, o que é mais uma forma de obrigá-los a votar no candidato Ronaldo Lessa. ?A situação dos novos policiais é complicada, uma vez que a todo momento são ameaçados com a afirmação: lembrem-se de que vocês estão em estágio probatório?, enfatizou Carlos Jorge, assegurando que o Sindpol vai tomar medidas para assegurar a manutenção dos direitos dos policiais. Inelegível O Tribunal Regional Eleitoral (TRE), se for acionado, poderá declarar o governador Ronaldo Lessa inelegível, por crime eleitoral, com base na resolução 20.988, que interpreta as condutas vedadas ao agente público, da Lei 9.504. Entre as condutas vedadas está a utilização de servidores públicos em campanha eleitoral. O fato é considerado crime eleitoral e também está incluído na Lei Complementar 64, conhecida como Lei da Inelegibilidade.