Política
Ap�s 13 anos, assassinos de Ceci Cunha v�o a julgamento amanh�
A cabeça de Ceci Cunha desabou para o lado direito, sob o impacto do tiro que atingiu a banda esquerda do pescoço. Os olhos se mantiveram abertos e calmos, como se ela não tivesse tido tempo de se assustar. O sangue escorreu e escureceu o vestido verde de Ceci, o mesmo que ela usava minutos antes, quando foi diplomada para o segundo mandato consecutivo de deputada federal. Ela tinha 49 anos naquela noite de 16 de dezembro de 1998. A deputada estava sentada em uma cadeira na varanda da casa de uma irmã, que correu para dentro e conseguiu escapar. Os matadores interromperam mais três vidas: as de Juvenal Cunha, marido de Ceci; Iran Maranhão, casado com a irmã da deputada; e Ítala Neide, mãe de Iran. O crime, conhecido como ?Chacina da Gruta?, em referência ao bairro onde ocorreu, causou espanto e revolta por todo o País, mas demorou mais de 13 anos, ou 4.777 dias, para ser julgado. O júri popular dos acusados começa amanhã, às 9 horas, no auditório da Justiça Federal em Alagoas. O Ministério Público Federal (MPF) acusa Talvane Albuquerque de ser o mandante. Em 1998, ele era o primeiro suplente da coligação que levou Ceci Cunha e Augusto Farias à Câmara dos Deputados. Caso um dos eleitos não pudesse ocupar o cargo, Talvane assumiria. E foi para substituir Ceci que ele a exterminou, segundo o procurador da República Gino Sérvio Malta Lobo.