Política
Ex-presidente revela que teve mais medo de perder a voz que de morrer
Rio de Janeiro, RJ ? O ex-presidente Lula, em entrevista exclusiva concedida ao jornal Folha de S.Paulo, na sexta-feira, afirmou que com a descoberta do câncer na laringe, mais do que morrer, teve medo de perder a voz e comparou o tratamento, com sessões de quimioterapia e radioterapia, a uma bomba de Hiroshima. O ex-presidente revelou que teve a exata noção do que o ex-vice-presidente José Alencar (que morreu de câncer no ano passado) passou e que a náusea provocada pelo tratamento era insuportável. Ele disse também que chegou a pedir a seu médico pessoal, Roberto Kalil, que o trancasse num freezer, como se faz com um carpaccio, ?onde se pega um contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e quando está congelado, você corta e faz o carpaccio?. Ainda com a garganta dolorida e 16 quilos mais magro, o ex-presidente disse que não vê a hora de acordar e poder comer pão com a casca dura sem ter de fazer sopinha. As decisões, ele afirma que virão com o tempo e que nunca mais terá uma agenda tão atribulada como a que teve durante os dez meses que sucederam sua saída do governo. Ele confessa não ter mais vontade de levar uma vida tão agitada, mas que não vai deixar de trabalhar, apenas vai fazer menos coisas, com mais qualidade, como participar de eleições de forma mais seletiva.