Política
Pagamentos estavam fora de controle, afirma ex-secret�rio
Ex-secretário de Estado da Defesa Social, Paulo Rubim ainda lamenta pela úlcera que ganhou por não ter como atuar, da forma que desejava, na atividade policial de combate ao crime no Estado mais violento do Brasil. Mas o delegado aposentado da Polícia Federal considera positivo o legado deixado, de março de 2008 a janeiro de 2011, para afastar o uso político das forças policiais e as ilegalidades nos órgãos de segurança. Uma dessas medidas, tomada logo depois de Rubim assumir a Defesa Social, resultou na Operação Espectro, no último dia 6 de março, quando foi revelada a existência de um esquema que pode ter causado um prejuízo de R$ 300 milhões aos cofres públicos, na compra de alimentos para os presídios. Insultado como forasteiro pelos seus críticos, Paulo Rubim esteve em Alagoas duas vezes este ano. Seu objetivo não foi apenas visitar a sogra, mãe da jornalista alagoana Beatriz Azevedo. Voltou para tratar de assuntos de interesse do Estado e de um amigo empresário gaúcho, em audiências na Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplande). Além de ser referência em Florianópolis (SC) para entrevistas sobre segurança pública, Rubim tem assessorado escritórios de advocacia da área do Direito Tributário, na cidade onde voltou a morar. Após resolver prestar o serviço informal de consultor para ?vender? Alagoas como o local ideal para um amigo instalar uma empresa do ramo de equipamentos e condutores elétricos, contou com a atenção do titular da Seplande, Luiz Otavio Gomes. Nesta entrevista exclusiva à Gazeta, concedida na última quinta-feira (29), por telefone, o ex-secretário não somente justificou a atitude de trazer seu amigo para avaliar as vantagens tributárias e logísticas de investir em Alagoas. Rubim disse ter sangue alagoano nas veias. E falou pela primeira vez sobre como engatilhou a Operação Espectro, quando identificou os indícios de ilegalidade. Gazeta. O que o senhor veio fazer em Alagoas? Paulo Rubim. Um amigo gaúcho queria expandir sua empresa para o Nordeste e lembrei de levá-lo para aí para avaliar se vale a pena instalar uma nova indústria em Alagoas. Estive aí na semana passada e na retrasada. Encaminhei ele para a Secretaria de Planejamento, com o doutor Luiz Otavio. E lógico que visitei a secretaria. Deixei muitos amigos aí. E fizemos também uma avaliação com a Prefeitura [de Maceió]. Mas foi só uma visita.Vamos ver se dá certo esta empresa dele! Tentei convencê-lo e fizemos este estudo aí. Ele gostou muito. Está avaliando em Recife (PE) também. Não decidiu ainda. O senhor virou consultor nesta área? Não. Ele é meu amigo. Mas se aparecer alguma empresa querendo me contratar para isso, vou aceitar, lógico. Eu estou advogando e dando assessoria na parte tributária. O senhor pensa em voltar para a Defesa Social? Não, não. A minha esposa está muito bem aqui na TV RBS, da Rede Globo. E também estou aqui numa boa. E o motivo principal para eu sair daí ainda persiste, que é a doença de meu pai. Ainda estou nessa situação difícil do tratamento dele. O senhor tem acompanhado as notícias de Alagoas? Eu vi a história do filho do deputado Antonio Albuquerque, que deram tiros nele. Teve ainda o negócio do deputado Cícero Ferro; criou-se, parece, que uma fofoca com o [Dudu] Hollanda. Mas eu procuro não me envolver nisso. Até porque uma parte da cúpula da Defesa Social trabalhou comigo, né? Se fiz minha parte bem ou mal, não sei. Mas fiz com boas intenções. Mas o senhor soube da Operação Espectro? Aquilo foi bom. Porque, quando eu cheguei aí, em março de 2008, encontrei a secretaria em situação complicada, com empresa para pagar, comida para comprar. E vi que os contratos estavam vencidos. Como o senhor agiu? Mandei verificar se contrataram correto, se as notas fiscais estavam corretas. E enviei para a Controladoria Geral do Estado e para a Secretaria da Fazenda. Desde aquela época, não paguei nota fiscal lá não. Vi que não estava muito de acordo e não paguei. Mandei instaurar um procedimento administrativo pela Corregedoria da própria Defesa Social, porque tinha coronéis. Foi em 2008 ainda. Acho que essas pessoas todas que são citadas aí foram ouvidas neste processo. E instalaram o inquérito policial. Essas providências do Ministério Público nada mais são que resultado dos procedimentos que adotamos.