Política
SETOR PRIVADO N�O RECEBE PUNI��ES POR CORRUP��O
Depois que o Fantástico exibiu no fim de março reportagem mostrando como é comum e fácil fraudar licitações e roubar o dinheiro público, através do pagamento de propina, cresceu no Brasil o debate sobre a necessidade de punir também as empresas corruptoras, as pessoas jurídicas. Até então, não há lei específica no País que penalize a empresa envolvida em negociatas, que atinja seu patrimônio. Quando a maracutaia é descoberta e vira processo, os funcionários, muitas vezes gerentes, é que vão parar no banco dos réus, depois de serem afastados do emprego. O dono da empresa, o chefão, alega não saber de nada e para o senso comum, segue fortalecida a ideia do servidor corrupto, sempre demonizado, e das empresas vítimas do suborno, sempre encurraladas. Por dois meses, um repórter da Rede Globo ocupou o cargo de diretor de compras num hospital pediátrico de referência do Rio de Janeiro. Ficou evidente que, no balcão da corrupção, não há ingênuos nem inocentes. Em caráter de urgência, ele abriu licitação para contratação de serviços como coleta de lixo, limpeza e aluguel de ambulâncias. Com câmeras escondidas no pequeno escritório, o repórter infiltrado recebeu representantes de empresas habituadas, há anos, a assinar contratos milionários com o governo federal. Em nenhum momento falou-se da qualidade do serviço a ser prestado. O que se viu foi o preparo das empresas e a parceria entre elas para forjar concorrência e dividir o recurso desviado, sem ninguém perceber. As imagens revelam um mercado criminoso consolidado, extremamente organizado.