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“SANTANA VAI VOLTAR A DORMIR DE PORTAS ABERTAS”

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Santana do Ipanema ? Na casa de uma família de amigos empresários, o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante conversou com a Gazeta durante uma hora, na tarde de quinta-feira (19). Sem fugir de nenhuma das perguntas, observado pelo filho Christiano Cavalcante e por cerca de dez amigos, o militar falou deste que diz ser o melhor momento de sua vida, aos 59 anos. O homem apontado como líder da extinta ?gangue fardada? falou ainda sobre o que pensa da postura do ex-governador Manoel Gomes de Barros (PSDB) e das famílias das vítimas dos crimes dos quais foi responsabilizado. Confira os principais trechos da conversa em que Cavalcante dá garantias de que os santanenses ?voltarão a dormir de portas abertas?. Gazeta ? Diante da imagem que se formou após suas condenações por cometer crimes, o senhor acha que atrelar essa imagem à campanha do seu filho é positivo ou negativo? Manoel Cavalcante. Para começar, eu não cometi nenhum delito. E os supostos delitos a mim imputados são todos na autoria intelectual, que supostamente o coronel Cavalcante mandou fazer isso ou aquilo. É sempre uma questão subjetiva, né? Não tem prova. Aquilo ali é fruto de um momento do Estado, do qual eu não gostaria de falar muito. Me impuseram penas por crimes que eu não os cometi. Mas o que é que eu posso fazer? Cumpri e estou aqui. Dizer que não tenho nada a ver com um filho ou com um pai é hipocrisia. Então, o que vamos tirar de bom? A amizade. Você acha que isso aqui é pouco? [aponta para os amigos] Somente uma pessoa que eu ouvi em Santana disse ter medo de sua volta atrair a violência. Talvez essa pessoa não seja daqui e a violência esteja com ela. Enquanto eu estive aqui, tanto como delegado de polícia quanto como coronel e comandante de batalhão, essa cidade aqui dormia de portas abertas. E todo o mundo sabe disso. Porque este aqui é um dos melhores lugares do mundo para você morar. Mas, infelizmente, a cidade cresceu e pessoas de fora estão prejudicando nossa sociedade. Mas isso vai acabar. Como? Eu garanto que, se nós chegarmos a eleger o nosso prefeito e a Câmara de Vereadores que estamos pensando, o trabalho que temos aqui para a segurança pública... Santana vai voltar a dormir de portas abertas. Porque eu aqui cheguei e aqui vou ficar. E eu nunca trabalhei aqui para aqui ter alguma bagunça. Esta é uma cidade pacata e pacífica. Por que o senhor disse, há dias, que vive o momento mais feliz de sua vida? Porque, para mim, não tem realização maior do que estar com o meu povo. É o máximo. Se, amanhã, o nosso povo entender que me deve agraciar com um voto para o meu filho, fazendo ele vereador, vice-prefeito ou prefeito, aumenta a felicidade. Mas se não for a vontade do povo, vou abraçar do mesmo jeito. Porque, se tem uma coisa que é soberana, é a vontade do povo. A Gazeta está aqui por- que é notícia. Se fosse um qualquer, você estaria aqui? A gente tem nosso valor no contexto social. E, outra coisa, já transpus o obstáculo colocado para minha vida, minha família e os santanenses. Qual foi? Me afastaram disso aqui. Mas eu voltei com muita alegria e me receberam de braços abertos. E é por isso que eu falei. Esse é o momento mais feliz da minha vida. E vai se completar em outubro, com a eleição de meu filho. Não tenha a menor dúvida. Porque, se tem um povo que sabe reconhecer, é o povo de Santana do Ipanema. Da mesma maneira que ele repudia e luta pelos seus direitos, ele reconhece quando você é leal, honesto e trabalhador. Depois destes 14 anos de prisão, o que ficou marcado em sua vida? Ficou marcado um aprendizado muito grande de que as pessoas muitas vezes, para galgar determinados cargos políticos, pisam nas pessoas. Não medem as consequências. Mas isso já é passado e já aprendi tudo. Quero passar isso para o povo de Santana, para os meus filhos [um casal] e o meu neto [que nasce em julho].

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