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“ACHO MAIS DO QUE JUSTO”

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Na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o sistema de cotas raciais existe desde 2003. O ano de 2004 foi para organizar o vestibular e a partir de 2005 começaram a ingressar as primeiras turmas de cotistas, beneficiadas com a reserva de 20% das vagas oferecidas em cada curso. Cínthia Roberta dos Santos tem 27 anos. Ela se autodeclarou negra em 2006 e a partir de 2007 começou a assistir aulas no curso de História. Hoje já está na pós-graduação, transformando todos os dias o sonho da carreira acadêmica em realidade. Sempre com notas acima da média, se não fosse a reserva de vagas para alunos negros, talvez Cínthia ainda estivesse negociando peças íntimas no camelô de Maceió. Moradora do bairro da Forene, ela concluiu o ensino médio na Escola Estadual Laura Dantas, no Cepa, aos 18 anos. Sem perspectivas de passar no vestibular e sem dinheiro para matricular-se num cursinho, sobrou para Cínthia o trabalho informal.

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