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Terreno foi usado para negociatas

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Rio Largo ? É como transformar um morto na galinha dos ovos de ouro. A história do terreno que colocou atrás das grades esta semana o prefeito de Rio Largo, Toninho Lins (PSB), e todos os vereadores da cidade, é digna de Sucupira, município comandado pelo prefeito corrupto Odorico Paraguaçu, do filme brasileiro O Bem Amado. A rapidez das canetadas, com drible malicioso das exigências constitucionais para a feitura e aprovação de leis municipais sob suspeita em tempo recorde, operou milagres em Rio Largo, cidade recorrente no noticiário por seu histórico de roubalheira. Em menos de um mês, como num passe de mágica, um terreno avaliado em mais de R$ 21 milhões da endividada Usina Utinga deixou de ser rural e passou a ser urbano na documentação; foi desapropriado e comprado pela prefeitura pela bagatela de R$ 700 mil; e terminou revendido por esse mesmo valor a um grupo de empresários do Pará e de Goiás, que toca a todo vapor o projeto do mais novo empreendimento imobiliário de Alagoas: o loteamento Cidade Jardim, com 9.902 terrenos disponíveis para a venda, sendo 2.738 lotes exclusivos para comércio. À frente do negócio, a empresa Buriti, com sede na cidade de Redenção, no Pará, mantém hoje 60 funcionários no canteiro de obras. Ela planeja em breve dobrar o número de empregados e prevê concluir a construção do escritório à beira da rodovia BR-104, em Rio Largo, dentro de, no máximo, 120 dias. Assim que o plantão de vendas estiver operando, lotes de todos os tamanhos poderão ser adquiridos e pagos em até 180 meses, a partir de financiamento da própria Buriti. Autoridades que participam das investigações dizem que a estimativa de lucro seria de pelo menos R$ 200 milhões.

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