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Candidatos com expressiva vota��o em Alagoas avaliam legisla��o eleitoral

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FERNANDA MEDEIROS No quadro político brasileiro, os números da eleição de 6 de outubro mostram que nem sempre ganha aquele que recebe mais votos. Vários candidatos ganharam a vaga na Câmara ou na Assembléia sem terem conseguido um número expressivo de votos. Um exemplo que gerou comentários em grandes níveis foi o do candidato Enéas Ferreira Carneiro (Prona), que obteve 1,558 milhão de votos e conseguiu ?puxar? com ele mais quatro candidatos do partido, desconhecidos e que tiveram 0% de votos. Toda essa situação reside no fato de que a Legislação Eleitoral impõe a realização de cálculos para a distribuição de cadeiras na Câmara e assembléias estaduais, de acordo com o critério de representação proporcional. E a matemática não é tão simples. Primeiro é preciso saber o número de votos válidos. Para isso, desconta-se do número de pessoas que compareceram à eleição os votos brancos e nulos. O número de votos válidos deve, então, ser dividido pelo número de cadeiras que estão sendo disputadas. Em Alagoas, o saldo também foi complicado, tendo em vista que vários candidatos obtiveram grande número de votos e ficaram de fora da Câmara ou da Assembléia Legislativa. Os candidatos alagoanos a deputado federal concorrem a nove vagas e o quociente eleitoral para este cargo, por exemplo, chegou a 129 mil. E a conta não pára por aí. Esse número deve ser dividido pelo número de votos recebidos pelo partido ou coligação (incluem-se aí votos pessoais e na legenda). Arnon de Mello Neto (PRTB), candidato a deputado federal, recebeu uma votação histórica em Alagoas, tendo em vista que foi a primeira vez em que o filho do ex-presidente Fernando Collor de Mello disputou um pleito. Arnon teve nas urnas 51.039 votos e em quase dez municípios alagoanos ficou entre os três candidatos a federal mais votados. Porém, ficou de fora da Câmara Federal, pois o PRTB, partido pelo qual disputou o pleito, não se coligou com ninguém, ficando muito mais difícil para Arnon atingir o coeficiente eleitoral. Enquanto isso, candidatos com menor número de votos entraram, ?puxados? pela legenda, e vão ocupar a cadeira em janeiro próximo. Regras Injustiça? Arnon de Mello afirma que não, pois, segundo ele, a Lei já está aí há muito tempo e quem concorreu já sabia que poderia enfrentar essa situação. ?As regras estavam claras. Todos já sabiam que o processo funcionava desse jeito. Por isso, não considero injusto, face à legislação que já existe. Acho injusto, sim, o sistema funcionar dessa maneira, pois os eleitores votam nas pessoas e não nos partidos ou legendas. Nesse caso, o sistema deveria mudar?, declarou. Voto ideal Ele explica que no Brasil o sistema é diferente do utilizado na Europa, onde os eleitores votam pelo partido. ?Nos Estados Unidos também é diferente. Lá, é adotado o voto distrital, onde cada região tem seus candidatos e outros não podem concorrer naquele reduto. Esse é o voto ideal para o Brasil. É o mais eficaz e o mais correto?, comentou. Mas o filho do ex-presidente Fernando Collor não desanimou. Avaliou a campanha como positiva e disse que tinha apenas a intenção de ser deputado federal para lutar pelo povo alagoano. ?Ali (na Câmara) seria o lugar ideal para eu fazer isso?, afirmou. Arnon de Mello Neto lembra que não teve prefeitos do seu lado durante a campanha e que os votos obtidos foram de pessoas que têm carinho e admiração por ele. ?Coloquei meu nome na disputa como mais uma opção para o eleitor e acho que foi uma boa opção, afinal, tive mais de 50 mil votos. Quem votou em mim o fez por livre escolha. Porque gosta de mim ou de meu pai, gosta das nossas propostas e tem carinho por nós?. Estreante Jota Cavalcante (PSB), estreante na política, também foi um dos prejudicados com o coeficiente eleitoral. Candidatura oficial da Assembléia de Deus, maior denominação evangélica de Alagoas, conseguiu ficar na frente de todos os candidatos a deputado estadual do segmento evangélico, com 15.702 votos, porém, não conseguiu ser eleito, ficou com a 1a suplência do seu partido. ?Acho que essa Lei precisa ser reformulada, para ser mais justa com todos. É lamentável o que acontece no processo eleitoral, onde candidatos, que são bem votados, perdem para os menos votados?, destaca Jota Cavalcante, que é filho do pastor-presidente da Assembléia de Deus, denominação que congrega cerca de 100 mil membros. A deputada Lucila Toledo (PTB), também prejudicada pela legislação, considerou injusto o fato de ter tido 16.047 votos e não ter sido reeleita para a Assembléia Legislativa. Ela foi a 12a candidata de um total de 27 vagas. ?Considero muito injusto esse processo, pois gente com menos votos entrou. É um sistema que deve ser corrigido, pois não reflete a vontade do eleitor. O povo vota em quem conhece e não em partidos?, avaliou.

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