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O DEVER DE VOTAR � O DIREITO DE SONHAR A DEMOCRACIA ACORDADO

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A vida é feita de sonhos, ou melhor, da busca por realizá-los. Sonhar talvez seja o mais puro e legítimo anseio de todo ser humano ? vem antes mesmo de amar, pois quem ama começou sonhando com esse amor. Sheakespeare disse que ?nós somos do tecido de que são feitos os sonhos?. Concentrando o foco no cotidiano das pessoas, vê-se que a regra é trabalhar ? ainda que uns mais que outros ? para alcançar o que se sonha. Família, filhos, amigos, os entes mais queridos dependem do trabalho para materializar seus sonhos. E o trabalho por vezes não vem para todos, assim como a saúde, a escola, o respeito às necessidades básicas que, mais que sonhos, são direitos cravados na Constituição. É bem verdade que não se tem paciência com o tempo da História ? que resume décadas em poucas e impessoais páginas ? e que as desigualdades ainda são acentuadas, mesmo assim todos percebem melhoras. Mas será que não haveria um modo de acelerar esse processo todo? Afinal, parece lógico que todos os brasileiros têm sonhos meio que comuns no essencial: direitos fundamentais respeitados, trabalho digno; escola boa e ? por favor ? com preço justo para os filhos; ser atendido com dignidade e qualidade num hospital público; saber que há segurança capaz de assegurar; desde o guarda da esquina ao efetivo da força policial; morar numa cidade que evolua ao invés de inchar desordenadamente como um bolo cheio do fermento da violência; ver o retorno de nossos impostos, em forma de obras sérias, planejadas, úteis e sem superfaturamento, mais ou menos isso. Acho que tem jeito sim. O jeito é investir na democracia. É assumir o dever de votar, sabendo que depois ele se transforma no direito de cobrar a responsabilidade dos eleitos. Quem não vota não pode reclamar. Quem vota e depois sai de cena abre o caminho para que o eleito se sinta dono da casa, quando é só mero inquilino do Executivo ou do Legislativo. O dono é o eleitor brasileiro. Não nego que é difícil viver democraticamente. Não por acaso, o estadista britânico Winston Churchill já dizia que ?a democracia é o pior regime político que existe, à exceção de todos os outros já inventados?. É preciso participar num nível crítico que nosso abismo educacional não permite. Mas mesmo para aquele que ainda é analfabeto é possível votar sempre e bem, e após votar com o melhor da consciência, fiscalizar aqueles nos quais votou. Pois fiscalizar é exigir o cumprimento das promessas de campanha, o respeito à procuração conferida pelas urnas. Deu errado? Que se vote em outro, pois a alternância virá com a nova eleição. Mas sem desanimar. Votar sempre é a certeza de votar melhor. Essa é a mensagem que deve ser lembrada: cumprir o mandamento republicano de escolher pelo voto aqueles que podem nos representar com decência é o segredo mais revelado da democracia. Sem votar bem, a democracia não avança, as condições de vida não melhoram e os sonhos viram fumaça. É como viver num condomínio e só ir para a eleição do síndico e depois deixar para lá. É como escolher o dirigente da Associação Comunitária, do Conselho Tutelar e achar que fiscalizar-lhes o trabalho é só reclamar. Cervantes disse, pela boca de seu imortal Don Quixote, que ?o sonho é o alívio das misérias dos que as têm acordados?. Exercer a soberania popular votando bem é obrigação de meio para o fim comum de realizar sonhos. O voto consciente não tem etiqueta de preço, não segue critério de beleza ou pede carimbo de marketing. Ele é a esperança e o caminho para tornar verdade o sonho legítimo de uma vida melhor. Vote bem, senão o sonho vira pesadelo.

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