Política
COMO PRESCINDIR DO CENTRO CULTURAL E DE EXPOSI��ES RUTH CARDOSO?
ERA UM VEZ, VAMOS CONTAR PRA VOCÊS.... Estamos diante de mais uma situação insólita, nesse pedaço de Brasil que habitamos. Como insólita, leia-se: contrária ao uso, às regras, inabitual. Há alguns dias fui surpreendida com a notícia de que o Centro de Convenções passará a ser gerido por uma empresa privada. Alegam DEFICIT. Eu diria, de forma menos imediatista, INVESTIMENTO. Perplexidade! Esse pedaço de Brasil chama-se Maceió, capital do Estado de Alagoas. Perceberam? Quantos equipamentos para a realização de feiras, congressos, palestras, espetáculos de dança, de música, de teatro, eventos corporativos, demandas do governo etc., nós possuímos? A quem pode interessar a privatização do Centro de Convenções? De onde partiu essa iniciativa? Por que o setor de serviços não foi consultado, já que mantém grande parte da economia local, gera centenas de empregos e paga impostos? Para que não esqueçam ? e só enfatizo porque equivocadamente tentam nos tornar menores ? produtores, atores, músicos, escritores, iluminadores, diretores, sonoplastas, camareiros, figurinistas, cenógrafos, maquinistas..., ai gente, que cadeia criativa! Nós, que fazemos o mercado cultural, também somos parte atuante e indispensável ao setor de serviços. A duras penas, micro e pequenas empresas se estabeleceram em Maceió, impulsionadas pelo Centro de Convenções, e hoje são aproximadamente 300, sobrevivendo diretamente das demandas do Ruth Cardoso. Já foi feita uma avaliação do impacto que esta mudança poderá causar a estes prestadores de serviços? Qual a segurança que trará uma gestão privada, para os eventos já pré-agendados e negociados? Como ficam eventos importantes, que já são tradicionais como a Bienal do Livro, o Baile dos Seresteiros e os espetáculos infantis que formam novas plateias? O governo já calculou a despesa referente às locações necessárias para as suas próprias demandas? Dizem, as boas línguas, que as empresas interessadas são autossuficientes nos serviços necessários para atender às solicitações do próprio Centro. Na verdade, todos os questionamentos acima são importantes e direcionados à economia. Mas alguns outros enfoques precisam ser dados: qual a função do governo como gestor, é ter lucro ou administrar com eficiência os recursos e patrimônio públicos? Esta mudança representa os interesses da maioria dos cidadãos-contribuintes-consumidores-eleitores? Esta é uma decisão política! Isso tem a ver com cidadania, com respeito! Isso tem a ver com a percepção das nossas carências como Estado. Isso tem a ver com responsabilidade. É preciso tomar as rédeas e não permitir mais uma ação de desconstrução! E torço para que eu esteja enganada.