loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Especialistas duvidam da seguran�a das urnas

Ouvir
Compartilhar

FERNANDA MEDEIROS Até que ponto as urnas eletrônicas são realmente confiáveis? Será que elas são ou não vulneráveis às fraudes que, vez por outra, costumam povoar os rumos das eleições? Há quem duvide da segurança e lisura do sistema informatizado de eleição, apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já ter garantido que o equipamento possui total segurança. O professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (Unb), Pedro Rezende, em entrevista ao jornal O Liberal, põe em xeque a confiabilidade das urnas eletrônicas, ao afirmar: ?Basta a introdução de umas quatro linhas de código num programa para se desviarem votos de um candidato a outro?. Tal afirmação veio como uma bomba, às vésperas do segundo turno da eleição para presidente da República. ?A urna, em si, ou os demais computadores envolvidos na informatização do sistema eleitoral são seguros, desde que se ponha neles programas honestos. Aí teremos uma eleição limpa. Mas, ponha-se neles programas desonestos e teremos a eleição fraudada?, disse Rezende, em sua entrevista. Segundo o professor, estatísticas de todo o mundo mostram que quatro em cada cinco crimes de informática são cometidos por funcionários que têm acesso legítimo ao sistema. Isto é, 80% são ataques e fraudes de origem interna. ?Não podemos perder tempo falando de hackers de fora, pois a estrutura do sistema eletrônico não permite que eles possam usar a Internet para interferir nos resultados da votação. Temos de nos preocupar com os hackers de dentro?, disse. Mas a opinião do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), desembargador Jairon Maia Fernandes, é de plena certeza de que não há como fraudar o processo eleitoral. ?A Unicamp, inclusive, fez um relatório sobre o sistema e reconheceu que é totalmente seguro?, explicou. Jairon Maia lembrou que a instalação e o preparo das urnas são procedimentos aferidos desde a lacração do sistema eleitoral, feito pelo TSE, numa sessão pública, onde os tribunais regionais, através de Edital, convida os representantes de partidos e coligações para que tragam consigo seus próprios técnicos para auditar o sistema. Além disso, o presidente do órgão explica que, o segundo momento de conferência é quando nas circunscrições estaduais os juízes das respectivas zonas eleitorais publicam um outro edital, convocando partidos e coligações para acompanhar ?ao vivo e em cores? o processo de preparação. ?Aí vem o mais importante: a lacração das urnas eletrônicas. O momento em que os partidos e coligações podem solicitar ao respectivo juiz um percentual de até 3% das urnas, para realizar a auditoria da carga?, esclareceu. Outro momento citado por Jairon Maia Fernandes diz respeito ao fato de que partidos e coligações, através dos fiscais, já nas seções eleitorais e antes mesmo de se iniciar o processo de recepção dos votos, eles vão aferir se existe algum voto depositado na urna, através da zerésima, que deve ser emitida na presença de todos aqueles que compõem a respectiva seção. Confiável Apesar das dúvidas que ainda persistem em relação à segurança ou não das urnas eletrônicas, o secretário de Informática do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), Carlos Henrique Méro, afirmou que o equipamento é totalmente confiável e seguro. ?Mesmo porque instituições de ensino, como a Unicamp, por exemplo, analisaram o sistema de votação brasileiro, não só o sistema das urnas como o sistema eleitoral de totalização dos resultados, e concluíram que é confiável?, observou. Ele confirmou a informação de que os chamados hackers, famosos por invadirem a Internet, não têm como fazê-lo. ?Eles não têm como invadir a urna eletrônica porque elas não estão ligadas a nenhum meio de comunicação e à rede da Justiça Eleitoral também, por questão de segurança e com o objetivo de evitar invasões ou mesmo tentativas, é desligado da Internet, na véspera da eleição e só retorna à conexão após a divulgação do resultado final do pleito?, explicou. Ainda segundo o secretário de Informática do TRE/AL, os sistemas das urnas eletrônicas são gerados por meio dos sistemas disponibilizados pelo TSE. Esses dados são submetidos a diversos recursos de segurança, criptografia (codificação das informações) e assinatura digital. ?Assim ? explica Henrique Méro -, se qualquer pessoa tentar modificar os dados, a urna eletrônica vai verificar que não há integridade no sistema e não permitirá a continuidade da votação?, garantiu. Parlamentares E os deputados, como eles avaliam o sistema de votação eletrônico? Há quem considere falho, inseguro e há também que se arrisca confiar plenamente no equipamento. As opiniões são divergentes. O deputado estadual Francisco Tenório (PPS), por exemplo, considera a urna eletrônica com impressão do voto extremamente importante, principalmente para o caso de haver necessidade de conferir os votos. ?Tudo é possível acontecer em um sistema eletrônico. Os experts da Informática podem entrar no sistema e fraudá-lo, mas ele é muito mais seguro do que o processo de votação em cédula de papel. Na verdade, eu confio na segurança da urna eletrônica?, afirmou. Francisco Tenório obteve 26.767 votos nessas eleições e foi reeleito para a Assembléia Legislativa Estadual. Sistema inseguro Já o deputado Paulo Nunes não saiu vitorioso no pleito deste ano. Não conseguiu se reeleger e afirmou que o sistema da urna eletrônica é falho. ?Não estou dizendo isso porque não fui reeleito, mas há dúvidas sobre a confiabilidade do equipamento. É um sistema ágil, prático, mas não é seguro. O campo da Informática é muito amplo e ainda é muito desconhecido, precisa ser mais estudado. Os hackers entram no sistema da Nasa, até então considerado altamente seguro, imagine no sistema das eleições?, declarou, afirmando ainda que a segurança, nesse caso, não está no equipamento em si, mas nas pessoas que o manuseiam. ?Deveria haver uma fiscalização rigorosa com relação a isso e a Justiça Eleitoral também deveria abrir o sistema para mostrar à população como ele realmente funciona?, sugeriu. Gilvan Barros (PL), deputado que também foi reeleito, no pleito deste ano, afirma que confia na urna eletrônica. ?Alguns municípios reclamaram do sistema, nas Eleições de 2000, mas, particularmente não acredito que possa haver fraude. É um processo ágil e o resultado sai imediatamente. Isso é muito bom?, elogiou. Barros apenas criticou o fato de o eleitor não ter sabido votar na urna eletrônica. ?Isso atrapalhou o pleito e considero que o TRE deveria disponibilizar mais urnas para o treinamento dos eleitores. A Justiça Eleitoral deveria permitir que todos os candidatos usassem uma urna para ensinar os eleitores. A demora nas filas foi ocasionada pela desinformação do eleitorado?, finalizou.

Relacionadas