Política
Comerciantes cumprem lei seca e reclamam de queda no faturamento
O maceioense que foi às praias de Ponta Verde, Pajuçara e Jatiúca, ontem pela manhã, mesmo ciente das determinações da chamada ?Lei Seca? bem que tentou refrescar-se do calor ingerindo uma cerveja gelada. Em vão. Ao contrário de anos anteriores, nenhum dos comerciantes daquela região comercializa bebida alcóolica. ?Mesmo sabendo da proibição, o cliente ainda pergunta se não é possível conseguir uma cerveja?, revela Antônio Bonfim, vendedor autônomo que atua nas proximidades de um luxuoso hotel na Praia de Jatiúca. Segurança Embora a determinação da lei seca tivesse por finalidade garantir a segurança do eleitor enquanto perdurasse o processo de votação, os comerciantes da orla marítima de Maceió reclamavam da queda no apurado do dia em virtude justamente da ausência do produto mais procurado pelo cidadão que vai à orla nos fins de semana. ?Vendo em média oito caixas de cerveja em garrafa num dia como o domingo e lucro entre R$ 250,00 e R$ 300,00. Na falta do produto, vamos ficar no prejuízo?, explica o vendedor Antônio Bonfim. Ele diz ainda que a não comercialização de bebida alcóolica acaba afugentando o cidadão. ?Mesmo sabendo da proibição, o pessoal pergunta se tem cerveja. Como não temos, eles vão embora e acabamos com dificuldades até para vender refrigerantes?, completa. Por outro lado, quem não reclamava da proibição na venda de bebida alcóolica eram os vendedores de coco, que, ontem pela manhã, atendiam os que se embriagaram até a meia-noite de sábado. Passavam das 10 da manhã quando o vendedor Ismael Vieira Alves registrava acréscimo nas vendas do produto. ?Quando aperta e não há cerveja, a solução é beber água-de-coco?, conta Ismael, que esperava vender, até o final do dia, pelo menos 400 unidades, ao preço de R$ 0,50 cada uma. Embora nenhum dos comerciantes estivessem comercializando bebida alcoólica, a reportagem da GAZETA flagrou três pessoas bebendo cerveja. Um deles, que não quis se identificar e disse ser comerciante, afirmou que comprou algumas latinhas na noite anterior e as trouxe para a praia dentro de um pequeno isopor. ?Bebo uma e depois pego outra. Quando acabar, volto e pego outra?, afirmou o cidadão, que burlava a lei e matava a sede debaixo de um guarda-sol na orla de Ponta Verde.