Política
CART�O VERMELHO PARA A ZONA AZUL - ARTIGO
A gestão da nossa querida capital, Maceió, está sempre nos surpreendendo. Na maioria das vezes (sem qualquer novidade), negativamente. Enquanto presidente, há quatro anos, do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Alagoas (Sinttro/AL), já acompanhei notícias, as mais variadas, sobre o transporte público e o trânsito da capital (em muitas delas, fomos os protagonistas), mas nenhuma tão absurda quanto a que trata da implantação da chamada Zona Azul. Copiando a regra utilizada pelo futebol mundial quando da utilização de uma falta desrespeitosa contra um jogador, lanço mão aqui (e todas as vezes que for interpelado sobre essa questão) do cartão vermelho para a tal Zona Azul que, claramente, desrespeita o cidadão alagoano que, por ventura, precise estacionar seu veículo onde se cogitou a implantação deste serviço que só visa extorquir ainda mais a população. Me expresso aqui não somente como dirigente sindical, mas principalmente como cidadão, que não admite mais tanta exploração. Para ser completo ao expressar minha opinião, é preciso retomar a questão do início. Alguns meses atrás, a Prefeitura de Maceió, por meio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), informou que daria início a um mapeamento das ruas da capital para identificar quais áreas e bairros teriam potencial para receber a implantação da Zona Azul. A fim de justificar o injustificável, informaram que a decisão foi adotada (pasmem) devido à dificuldade de os motoristas estacionarem seus veículos nas ruas da região central de Maceió. E desde quando para resolvermos um problema, precisamos criar um ainda maior e totalmente descabido? Como podemos compactuar com a privatização de espaços originalmente públicos? Achei ainda mais irônica a colocação feita por representantes da SMTT que ?garantiu que o objetivo do órgão não é o da arrecadação e, sim, o de disciplinar o trânsito?. E nesse momento volto a me questionar. Se a questão é disciplinar o trânsito, por que não começar disciplinando a prestação de serviço para o transporte público? Por que não assegurá-lo de qualidade? Por que não construir corredores de transporte? Por que não retirar das ruas o transporte irregular que, muitas vezes, ocupam indevidamente as vias públicas? São tantos os por quês que nem eu mesmo sei o POR QUÊ de tanta desorganização em um segmento que precisa FLUIR. Nesse momento, a única certeza que temos é que, pelo menos por hora, graças à intervenção do Ministério Público, a prefeitura decidiu pelo não prosseguimento da licitação para a Zona Azul. Espero que o futuro prefeito de Maceió tenha bom senso para afastar definitivamente esse presente de grego que querem ofertar aos maceioenses. Afinal de contas, a Zona chamada Azul ampliaria a arrecadação da prefeitura às custas das pessoas que menos podem pagar, aumentando ainda mais as despesas do cidadão e colocando sua receita ainda mais na Zona Vermelha.