Política
Procurador j� acusou a PM
O futuro procurador geral de Justiça, Sérgio Jucá, é mais conhecido da população alagoana desde a década de 1990, mas por sua atuação como representante do Ministério Público na defesa dos direitos da criança e do adolescente ? na antiga função de Curador de Menores, onde ingressou por uma circunstância. Sua carreira, entretanto, começou na instituição em outra área, aparentemente bem distinta. ?Eu sempre fui promotor de Varas criminais e, como tal, sempre atuei no Tribunal do Júri?, relembra. Do já tradicional gênero ?filmes de tribunal?, quem não conhece a figura do promotor ou assistente de acusação que se empenha em conseguir provas e fazer diante dos jurados as perguntas certas a testemunhas e acusados com o nobre objetivo de botar bandidos na cadeia e fazer com que paguem por seus crimes. ?Eu fui nomeado em maio de 1976 para a comarca de São José da Laje. Como promotor titular, trabalhei nas comarcas de Mata Grande, Passo do Camaragibe, Arapiraca e Porto Calvo e, como substituto, em mais umas dez comarcas. Foram mais de dez anos percorrendo quase todo o interior de Alagoas ? sempre atuando no tribunal do júri?, relembra. Não é difícil, pois, cogitar, que tenha trazido dessa primeira área de atuação o rigor e a veemência com que passou a atuar na defesa dos direitos da infância e adolescência. E que lhe renderam embates que em nada ficaram a dever aos riscos e outros componentes da luta contra criminosos. Em 1993, por exemplo, denunciou que uma sucessão de mortes de menores se constituía, na verdade, em fortes indícios de atuação de um grupo de extermínio. As cobranças chegaram ao comando da Polícia Militar, à época ocupado pelo coronel Nilton Rocha, que determinou apuração, mas, numa atitude inusitada, intimou o próprio Jucá para prestar depoimento. Como tinha prerrogativa para isso, o então curador escolheu hora e local para depor: 9h de uma quarta-feira ? no gabinete do comandante Rocha.