Política
Em crise, usinas buscam influ�ncia
A articulação de usineiros para ocupar cargos estratégicos da economia alagoana pode ter uma explicação: a atual crise pela qual passam as usinas do Estado. A necessidade de o setor sucroalcooleiro alcançar melhor desempenho no mercado nacional fez com que o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) publicasse três decretos em outubro último, reformulando os indexadores para cobrança de ICMS dos usineiros. Segundo fiscais de renda, o Estado vai perder R$ 7 milhões por mês com a manobra ? ou R$ 84 milhões por ano. Com a crise internacional, as exportações de açúcar, transação mais rentável para as usinas alagoanas, ficaram ameaçadas. E a concorrência interna no Brasil é grande. Por isso, o setor diz que para sobreviver precisa pagar ainda menos impostos. Porém, dados levantados pela própria Secretaria da Fazenda mostram que a arrecadação do setor sucroalcooleiro no Estado só tem caído desde o início do primeiro mandato de Teotonio Vilela. Em 2007, o ICMS recolhido das usinas somou R$ 60,3 milhões. No ano passado, a arrecadação fechou em R$ 44,6 milhões, registrando uma queda, em quatro anos, de 25,9%. A representatividade do ICMS da cana na economia alagoana também tem despencado, conforme o próprio governo. Em 2007, o setor sucroalcooleiro era responsável por 3,43% de todo ICMS recolhido. Em 2011, a colaboração caiu para 1,96%. Deputado da oposição, Judson Cabral (PT) quer que o secretário da Fazenda, o usineiro Maurício Toledo, vá até a Assembleia explicar a queda de arrecadação do setor no governo tucano e justificar a motivação do Estado em conceder benefícios para as usinas por meio dos decretos mais recentes.