Política
Desafio � manter os herdeiros no poder
Autor do livro Caminhos do Açúcar: Engenhos e Casas-Grandes das Alagoas, publicado em 2008 em parceria com a museóloga Carmen Lúcia Dantas, o historiador Douglas Apratto Tenório atribui o trânsito dos usineiros na direção do comando da máquina pública à perda de espaço econômico do setor sucroalcooleiro em Alagoas. Para o estudioso, é possível que esta seja uma estratégia política para manter os herdeiros da cana no poder, como sempre foi ao longo da história, desde a chegada dos colonizadores no Brasil. ?Hoje, as usinas enfrentam certo declínio, perdem importância econômica, uma vez que a dotação fica atrás dos investimentos do governo federal em programas como o Bolsa Família, da previdência, dos repasses de verba para as prefeituras. Este volume de dinheiro, hoje, é maior do que a participação do setor na economia. Talvez por isso, tenha havido um reforço na influência política no aparelho do Estado?, explicou Douglas Apratto que faz questão de ressaltar não ser novidade a relação próxima dos usineiros com os gestores públicos. ?A novidade é a ampliação da influência?. Dos 102 municípios de Alagoas, em 54 existe canavial a serviço de 24 usinas, controladas por 13 famílias. A área cultivada nesta safra, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, cobre mais de 16% do território alagoano. CS