Política
Tudo no governo de Vilela � falso
Engenheiro agrônomo natural de Murici, Olavo Calheiros (PMDB) foi eleito deputado estadual em 2010, após atuar por cinco legislaturas como parlamentar na Câmara Federal, desde 1991. Nesta entrevista concedida à Gazeta na quinta-feira (20), Olavo faz uma análise sobre a relação de poder da Assembleia Legislativa com o governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB). E aponta para falhas cometidas por ambos os lados, que afetaram a vida dos alagoanos nos últimos anos. Gazeta. Como o senhor tem avaliado a atuação do Legislativo de Alagoas, nesta sua primeira experiência neste parlamento? Olavo Calheiros. Eu encaro com normalidade. Venho do parlamento federal, onde a abrangência de sua atuação é bem maior. Os parlamentos estaduais têm muitas limitações, em função do que pode legislar. E em Alagoas a gente convive com um problema maior, que é a desorganização do Poder Legislativo como um todo. Com isso, a gente sente muita dificuldade. Desde a prática das votações, do cumprimento do regimento... Aqui é muito complicado. E outra coisa que deixa muito a desejar aqui são as assessorias, que são resumidas. O parlamentar tem poucos recursos de pessoal para utilizar na sua atividade. Mas, no resto, achava que era isso mesmo. Não tinha muita ilusão com isso, não. E sobre o relacionamento da Assembleia com o Executivo? Acho que talvez este seja um dos maiores problemas. A Assembleia Legislativa é uma sala do Palácio. Você vê: esses meninos estão aqui até agora e não conseguem votar o Orçamento 2013. Os funcionários públicos da Assembleia não sabem quando vão receber o mês de dezembro. E o Legislativo não tem autoridade para fazer um orçamento real para o que ela realmente precise para cumprir suas funções. Hoje, tem uma dependência muito grande do governo do Estado. E isso prejudica o funcionamento do Legislativo. E o que o senhor diria a respeito da condução das políticas públicas do Estado, pelo atual governador? Olha. Você classifica o governo pelos números que ele gera e pelos fatos que ele produz. E se você analisar por estes aspectos, nós podemos dizer, sem nenhuma dúvida de cometer injustiças, que o governo de Teotonio Vilela é um fracasso. É um fracasso completo, seja qual for a área que você analise. Por exemplo? O Teotonio brincou com a segurança dos alagoanos, desde os primeiros dias de seu governo. Trouxe para cá um general aposentado que não conhecia Alagoas [Edson Sá Rocha]. Não conhecia o governador... O general perdeu muito tempo, montou uma equipe que não funcionou. Saiu um ano e meio ou dois anos depois. Foi uma perda de tempo para o governo na montagem de uma estrutura que precisa mudar para enfrentar uma violência que já crescia naquele momento. Substituiu o general por um policial federal e se criou a era da mídia, das operações espetaculosas. Isso desviou a atenção dos alagoanos para o problema da violência, que já era enorme. E qual o maior erro ao decidir por essas nomeações? Ele deixou de fora da luta pessoas experientes e importantes. Entregaram o comando da Polícia Civil, por exemplo, à sua ala mais jovem. Alguns informados, preparados, mas inexperientes. O governo não criou a estrutura necessária para enfrentar a violência, tanto é que perdeu o controle dela. Chegamos a ter um assassinato a cada três horas, em Alagoas. Mais de 2.200 mortes por ano em quase 12 mil e seis anos de governo Téo. Isso é o fim do mundo! É pior que a Síria, que está em guerra civil. E é pior que a guerra do Iraque ou que a guerra civil do Afeganistão. E como deveria ter sido contornado este problema? Deveria ter sido montada uma estrutura eficiente, com pessoas daqui, que conhecessem os problemas do Estado. O governo caminhou pela contramão. Enquanto a violência crescia, o número de policiais militares foi diminuindo. Quando Teotonio assumiu, a Polícia Civil tinha mais de dois mil em seus quadros. Hoje, tem menos de 1.500. O governo alega ter sido impedido de realizar concursos, devido à limitação da Lei de Responsabilidade Fiscal... Isso é discurso. Não se justifica. O Teotonio prometia na campanha de 2006 que contrataria mil policiais a cada ano em Alagoas. Se ele tivesse cumprido a sua palavra, seriam mais seis mil policiais; já garantindo a segurança dos alagoanos. Ele não fez nada disso porque achou que não devia fazer. Porque existia no governo uma discussão de que o problema do aumento da violência em Alagoas não estava afeto ao efetivo policial.