Política
Ap�s oito anos de gest�o, Almeida encerra carreira mete�rica
Brilhante mas efêmero. É assim que Aurélio Buarque de Holanda define ?meteórico? em um de seus dicionários. E meteórico é como Cícero Almeida diz ter sido tudo em sua vida. Às vésperas do ano novo, olhar para o futuro é o mais comum. Mas o olhar dele fixa o passado. Pelo menos nesta virada, a nostalgia toma conta. Foram mais de duas décadas dedicadas ao rádio e à TV. Dois anos como vereador, outros dois como deputado estadual até chegar ao topo do poder municipal. Nos últimos oito anos, Maceió esteve em suas mãos. Terça-feira, Almeida volta a ser um homem sem mandato. Em 2004, era ainda um desconhecido da maioria do eleitorado. A fama que tinha vinha do programa policial onde trabalhava como repórter. Cabelo grande, enrolado, mais magro, viu o patrão virar padrinho político. O usineiro João Lyra queria ser prefeito, mas acreditou mais no radialista, de origem humilde. Colocou a filha como vice, Lourdinha Lyra. Entre os que acreditavam na vitória, muitos temiam. O PSB da então prefeita Kátia Born brigava por mais quatro anos no poder. Seu grupo estava na prefeitura havia 12. Teve que abrir caminho para o locutor. No 2º turno, Almeida conquistou 56,54% dos eleitores. No primeiro dia de governo, protagonizou uma cena incomum. A medida de número um, ironicamente, tinha a ver com trânsito. Diante da imprensa, no meio da rua, gravata e camisa longa, no topo de uma escada, arrancou do alto de um poste um ?pardal?, equipamento para registro de infrações. Iniciou com discurso moralizador, em combate à ?indústria da multa?. Dali por diante, a gestão ficou marcada pelo concreto. Construiu o viaduto da Mangabeiras e o da ladeira Geraldo Melo, no Farol. Pavimentou centenas de ruas. Reformou a orla e o Centro, alterando a paisagem dos dois cartões postais.