Política
Estado adia reuni�o para explicar verba da seca
A emergência da seca ficou para depois do carnaval. Enquanto o sertanejo trôpego de sede vê o gado morrer no Sertão, passos de frevo e rodas de uísque vão animar a folia em balneários como Barra de São Miguel e áreas vips do Litoral alagoano. A tão esperada reunião do Comitê Estadual de Combate aos Efeitos da Seca, que traria luz ao mistério do ?sumiço? dos R$ 10 milhões enviados pelo governo federal em agosto, ficou para o dia 14 de fevereiro, um dia após a queima dos pecados nas cinzas da quarta-feira ?ingrata?. No inferno semiárido, o chão arde, a roça torra e a Defesa Civil adia a reunião que estava marcada para ontem, às 9h, no Palácio dos Palmares. Os prefeitos dos 37 municípios afetados pela seca se preparavam para escutar as explicações do governo sobre o atraso de seis meses na liberação dos recursos, mas foram avisados em cima da hora, por e-mail, do adiamento da reunião. Agora é esperar passar a folia de Momo. A seca é emergência, é prioridade, mas, ao que parece, os confetes e as serpentinas são mais importantes. Cerca de vinte pessoas que participariam da reunião, entre eles alguns prefeitos, ainda foram ao salão de despachos e não gostaram nada de saber do adiamento. O gerente da Agência de Governo da Caixa, André Tenório, também foi surpreendido, mas evitou fazer críticas sobre o atraso dos R$ 10 milhões. ?Existe uma situação terrível na região e este recurso é uma forma de amenizar?, resumiu.