Política
Professor diz que Alagoas � um problema federal
ROBERTO VILANOVA O professor Cícero Péricles, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal, Ph.D em Economia) reafirmou a posição de que Alagoas é um problema federal, ou seja, sem a ajuda da União será difícil o Estado superar as adversidades que entravam o seu de-senvolvimento econômico e social. ?A permanência de indicadores sociais extremamente negativos, o lento crescimento da economia e a crise fiscal do Estado tornaram Alagoas um problema administrativo na esfera federal. Não há como ultrapassar sozinho esses grandes entraves sem o apoio federal. Somente uma forte parceria entre o Estado de Alagoas e o governo federal, baseada num programa de modernização social e econômica, pode romper com esse atraso secular?. ?Essa oportunidade histórica surge agora por duas razões: o governo de Alagoas não pode mais alegar que está fazendo correção de rumo, à medida que passou à fase experimental e está no segundo mandato; e, em Brasília, toma posse um governo alinhado politicamente com a atual administração estadual?. Plano federal O economista Cícero Péricles disse que a nova política econômica e seus objetivos sociais estão definidos. A equipe econômica do novo presidente já garantiu o cumprimento de todos os contratos acertados com as instituições financeiras internacionais. ?As lideranças do mundo empresarial e financeiro já sinalizaram, positivamente, suas expectativas. Enfim, o mercado está calmo e a expectativa é positiva?, acrescentou. ?A nova equipe econômica defende a manutenção da atual carga tributária para o próximo ano. O orçamento de 2003 deverá ser ajustado às prioridades do novo governo, garantindo que recursos possibilitem ao presidente eleito implementar alguns de seus programas de governo mais importantes, de uma maneira que atenda às demandas sociais sem o comprometimento das finanças públicas?, concluiu. No plano regional, o economista Cícero Péricles diz que, em Alagoas, uma pergunta está na cabeça de todos: o que essa nova política poderá afetar na economia alagoana? Primeiro, tal como em todos os Estados, nós vamos sentir os efeitos da política macroeconômica nacional: a proposta de iniciar um novo modelo de crescimento, com ênfase na geração de empregos e distribuição de renda deverá trazer bons resultados para Alagoas. Ele destacou a política ofensiva de exportação e uma criteriosa política de importação como os principais instrumentos do governo Lula, já em 2003, visando atingir um superávit comercial ainda superior aos 10 bilhões de dólares este ano. A reforma tributária para desonerar a produção, já no primeiro ano de governo, deverá beneficiar, principalmente, o setor exportador, que contempla os setores mais competitivos da economia alagoana, como são os casos da indústria sucroalcooleira, fumicultura, indústria química, etc. ?A renegociação das dívidas dos Estados deverá seguir a proposta do vice-presidente, que consiste na redução do comprometimento dos Estados como o pagamento da dívida ao governo federal, de 13% para 6% sobre a receita líquida que os Estados devem destinar ao pagamento das dívidas com a União. Esse será o tema que deve integrar a reforma tributária proposta pelo governo Lula. Essa reforma permitirá um alívio imediato para que o Estado de Alagoas saia da condição de mero pagador de funcionários e passe a ter a capacidade de investimentos e gastos correntes?, concluiu o economista, que demonstra otimismo em relação à política que será implementada pelo governo federal. Para ele, uma ironia ? Alagoas derrotou o Lula, mas somente terá a chance de combater os indicadores sociais negativos com Lula.