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Petistas dizem que Lula ter� que ampliar vis�o pol�tica

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Os vereadores petistas destacaram, na Câmara Municipal de Maceió, a expressiva votação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve mais de 52 milhões de votos. ?Pela primeira vez na história do País um operário é eleito presidente da República?, ressaltou o vereador Thomaz Beltrão. Ele disse que para governar é necessário ampliar a visão política para conseguir apoios e parcerias. Ele ressaltou ainda que Lula terá de mexer na estrutura fundiária do País, considerando que, sem isso, não há, na sua visão, como conseguir acabar com a enorme concentração urbana. Além dessas considerações, Beltrão falou ainda sobre a importância da eleição de Lula para o resgate da auto-estima do povo brasileiro. ?O brasileiro acreditou por muito tempo que só consegue as coisas nesse País quem tem influência e dinheiro. Lula provou que, com coerência, força de vontade e coragem é possível transformar a vida dos homens de bem desse País?, observou. O vereador Judson Cabral parabenizou o povo brasileiro pela vitória de Lula, e ressaltou que a partir do próximo ano, de acordo com seu entendimento, o País tomará um novo rumo. Cabral fez críticas à elite dominante do País que sempre esteve à frente do poder, e lembrou a todos a importância de cooperar com o primeiro governo Lula, que é o de acabar com a fome no País. Segundo Cabral, o governo Lula representa o início de uma nova era para o Brasil. ?Tínhamos a expectativa da realização de um grande projeto para a transformação social do País. Então, já podemos iniciar esse projeto com a vitória de Lula. Todos que acreditaram nisso estão de parabéns, pois igualmente são vitoriosos e Lula, como porta-voz, foi o grande timoneiro desse projeto?, destacou Judson Cabral. Transformação ?O Brasil agora se volta para o futuro e para uma mudança de mentalidade. O povo acreditou e Lula teve persistência para chegar onde chegou. Eu, como petista, me sinto realizado e contemplado com essa vitória. O PT cresceu, está mais amadurecido e conhecedor da política brasileira e está preparado para dar uma contribuição ainda maior. Vale lembrar ainda que o PT não elegeu apenas o Lula, mas uma grande bancada, diversos governadores, significando que Lula conseguiu propagar o seu projeto e o povo assimilou bem?, reforçou o vereador. Judson declara que esse é apenas o início de um processo e tem a clareza de que nada pode ser mudado totalmente do dia para a noite. ?É apenas o pontapé inicial para uma transformação. Não vamos mudar nada de uma hora para outra. Acreditamos, porém, que Lula vai governar com uma política calcada na ética, na sinceridade e no respeito à cultura e ao povo brasileiro?, disse. Sobre a possibilidade de o PT em nível regional poder vir a fazer parte da equipe de governo de Lula ocupando, inclusive, alguns cargos importantes, Judson Cabral disse que não está descartada. ?Vamos discutir a nossa participação nesses cargos. As indicações que pudermos dar também serão discutidas dentro de uma visão política coerente?, observou, acrescentando que essa discussão deverá acontecer nesta semana. ?A indicação desses nomes deverá ser discutida o mais rápido possível. Vamos reunir os membros do partido em nível local, no decorrer desta semana?. Em nível nacional, Judson afirmou que nada foi definido sobre o assunto. ?Acreditamos, porém, que algo deve acontecer. Temos nomes de várias pessoas preparadas para assumir um cargo no governo federal. São engenheiros, advogados, militantes do PT e outras lideranças que estiveram conosco nessa caminhada?, observou. ?Mas ainda não houve definição com os nossos aliados?, acrescentou. Já sobre o fato de Alagoas ter sido o único Estado em que o candidato José Serra (PSDB) ganhou a eleição, Judson Cabral considera que não irá haver problemas de relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Acreditamos que isso não irá interferir no relacionamento do governo federal com o nosso Estado, afinal, foi um processo democrático, onde a maioria do povo alagoano escolheu Serra. Temos, no entanto, que descobrir por que isso aconteceu, principalmente porque num momento em que todo o País clamava por mudança, Alagoas não respondeu. Sabemos que houve muitos boatos, inclusive no âmbito das igrejas evangélicas, mas o que realmente levou essas pessoas a não acreditarem no projeto de Lula, o que as levou a ter medo de mudar? Isso requer uma avaliação política?, finalizou. Crise interna A vitória do PT na eleição presidencial, entretanto, não apaga da memória do partido as dificuldades internas vividas nesta eleição, provocadas pela aliança imposta pela verticalização. E mesmo salientando que a meta prioritária do partido, neste momento, é garantir a governabilidade de Lula, o PT alagoano não vai ter como desviar de uma avaliação sobre os fatos que marcaram a eleição local. Em função da verticalização a senadora Heloísa Helena retirou sua candidatura ao governo do Estado e se recusou a ajudar o partido na campanha de Judson Cabral, que a substituiu na chapa, e dos candidatos proporcionais. Sem subir no palanque (houve apenas algumas exceções no interior do Estado), a senadora acabou não aparecendo muito na campanha de Lula, que por sua vez não colocou Alagoas em sua agenda de campanha, em função dos problemas aqui registrados. O resultado da crise interna que viveu o PT de Alagoas refletiu-se nas urnas: Alagoas foi o único Estado onde o candidato José Serra ganhou de Lula; o único que teve redução de bancada na Assembléia Legislativa e está entre os quatro Estados que não conseguiram eleger deputado federal pelo PT. ?Vamos ter que fazer avaliação dos acontecimentos do primeiro turno, porque a crítica e a autocrítica são práticas que o PT sempre exercitou. Mas essa não é nossa prioridade?, avisou o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão. A prioridade, segundo ele, é a governabilidade de Lula; como governar e honrar os compromissos com a sociedade brasileira. ?Temos que ter clareza de que a vitória de Lula não se resume ao resultado das eleições de hoje; a vitória tem que ser construída no governo que as forças democráticas deste País sempre defenderam, para que esse projeto não se acabe em quatro anos, mas que seja o início de uma nova era para o País?, conclui o deputado Paulão.

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