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“Precisamos aplicar a lei de incentivos fiscais” / Parte II

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- E o setor sucroalcooleiro? O senhor falou sobre as usinas que faliram. O senhor acha que está havendo uma depuração do setor e poucos vão sobreviver? - O setor sucroalcooleiro em Alagoas chegou ao limite, não pode mais se expandir horizontalmente. A expansão, agora, tem de ser à base da produtividade. As usinas que fecharam estavam situadas em regiões topograficamente impróprias à mecanização da lavoura. - Essa expansão pela produtividade não exige investimentos em pesquisas? - Eu falo da produtividade a partir da tecnologia de irrigação e isto o Estado vem conseguindo atingir. Posso afirmar que a região sul de Alagoas é o maior pólo de irrigação canavieira do Brasil. Mas claro que as pesquisas têm de continuar. - O senhor está otimista em relação ao próximo ano? - Acho que estamos bem. A internacionalização do álcool é uma realidade por questões ambientais; aqui no Brasil, por questão de economia, o carro a álcool é mais barato. Além disso, o preço da gasolina vai subir. Não subiu antes devido às eleições; e terá de ser reajustado em espaços curtos de tempo. - Quanto Alagoas já exportou em álcool? - A exportação de álcool para o exterior é inédita, nunca tínhamos exportado. Nós mesmos, do grupo Santo Antônio/Camaragibe, exportamos a metade da nossa produção de álcool na safra passada. No total, foram 250 milhões de litros. - Para onde vai o álcool alagoano? - Vai para o Japão, a Coréia, Nigéria, México, Estados Unidos e Suécia. Entra na mistura com a gasolina, reduzindo os índices de poluição. - O que o senhor achou da vitória do Lula e o que espera do governo do PT? - A vitória do Lula foi a maior demonstração de maturidade que o Brasil já fez para o mundo moderno, não só no aspecto do fortalecimento da democracia, mas pelos avanços no processo eleitoral. Lembre-se que nos Estados Unidos eles levaram dias para conhecer o presidente da República. Nós, aqui, às 10 horas da noite do mesmo dia da eleição já estávamos assistindo pela televisão o candidato derrotado telefonar para cumprimentar o vencedor. Sobre o presidente eleito, acho que o Lula mudou, nós mudamos, o País mudou. Eu espero que ele faça o pacto social; acho que tem condições e já demonstrou isso, quando escolheu para vice o segundo maior industrial do ramo têxtil do País, o empresário José Alencar. O PT demonstrou ser possível juntar um ex-operário, eleito presidente, e um dos maiores empresários do País. Se o Lula fizer o pacto, com certeza fará um bom governo. E, pelo menos até agora, o Lula tem demonstrado que caminhará nesse sentido; visitou o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal; o PT percebeu que é necessário o entendimento, até porque a vitória do Lula não significou necessariamente a vitória do PT. O eleitor elegeu o Lula presidente da República, mas não elegeu o candidato a governador pelo PT em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Pernambuco... - O eleitor votou contra o governo Fernando Henrique? - Votou contra a política que levou ao desemprego; o funcionalismo público votou contra porque há oito anos não teve reajuste. A política de paridade do dólar ao real gerou problemas. Posso dizer que a política monetária do governo, de uns meses para cá, foi equivocada. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, cuidou mais dos interesses dos especuladores financeiros. Esse foi o grande erro. - Foi o que gerou a disparada do dólar? - Era natural que o valor do dólar aumentasse, porque o País optou pela dependência do mercado financeiro; não gerou saldo comercial. E a reação do especulador é a mesma, sempre, diante do menor sinal de problemas. Como o País importava mais do que exportava, os problemas se agravaram. É aquela história: se alguém lhe pede dinheiro emprestado e você acha que corre o risco de a pessoa não pagar, então cobra juro mais alto. Mas o pior já passou, eu acredito que o dólar vai se estabilizar num patamar compatível com a economia e a necessidade de exportação. No valor atual está ótimo. - O senhor acredita que o valor do dólar vai se estabilizar; mas, para estimular as exportações não é preciso mexer na taxa de câmbio? - Mexer na taxa de câmbio, no juro ou no imposto. A taxa de câmbio está mantida e o governo desonerou as exportações. Isso permitiu ao país registrar saldos comerciais positivos. É diferente do que o governo Fernando Henrique fez até então, baseando as reservas na especulação financeira. - Na sua opinião qual deve ser a prioridade do governo Lula? - O combate ao desemprego e à fome. A vitória do Lula foi resultado da reação da sociedade contra a política do governo Fernando Henrique Cardoso, que conseguiu a estabilidade da moeda mas levou o País à estagnação. A opção do governo Fernando Henrique foi pelo capital financeiro internacional, o que gerou desemprego e aumentou a miséria. Lembro-me do que disse o Antônio Ermírio de Moraes: ninguém come sanduíche de títulos da dívida pública; come-se sanduíche de carne, de queijo, ou seja, o povo não vive de papéis ou títulos financeiros do governo, mas de alimentos. A vitória do Lula foi a resposta da sociedade ao governo Fernando Henrique; tanto é assim, que o eleitor elegeu o Lula, mas não elegeu os candidatos a governador do PT nos grandes Estados ou na maioria dos Estados.

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