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Gest�o Ch�vez divide opini�es

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CÍCERO PÉRICLES - Economista e professor da Ufal Em Alagoas, o legado de Hugo Chávez também evoca a crítica de intelectuais, estudantes e lideranças sociais. Uns admiradores e outros céticos, eles opinaram sobre o que fez o entusiasta do chamado ?socialismo do século 21? e o que ficará como marca de seu governo para as futuras gerações. Doutor em Economia e também professor da Ufal, Cícero Péricles reconhece a sólida liderança de Hugo Chávez, que o fez ganhar todas as eleições que disputou, e explica a origem da polêmica que perseguiu seu governo. ?O presidente da Venezuela é um personagem polêmico por suas posições reformistas e nacionalistas. Como reformista, resolveu utilizar a principal riqueza venezuelana, o petróleo, para bancar prioritariamente seus projetos sociais, num país com mais da metade da população vivendo na pobreza. O extraordinário apoio popular de Chávez está baseado nas melhorias das condições de vida da maioria pobre dos venezuelanos?. ALIANÇA TUPINIQUIM Péricles retrata também o Chávez nacionalista, aliado do Brasil. ?Como nacionalista e defensor das ideias de Simón Bolívar, sua preocupação com a América Latina também era real e, por isso, a integração latino-americana era o eixo principal de sua política externa. Neste aspecto, o Brasil foi um parceiro econômico privilegiado e um forte aliado político, viabilizando a entrada da Venezuela como sócio efetivo do Mercosul?. Ao lançar o olhar para o futuro, Péricles acredita na continuidade do trabalho de Hugo Chávez. ?Os resultados das próximas eleições deverão confirmar a herança chavista e, de alguma maneira, esse processo deverá seguir sem a presença carismática do seu líder morto?. ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨ RONALDO BISPO - Doutor em Comunicação ?A morte prematura de Hugo Chávez representa uma perda irreparável para o projeto de uma América Latina independente e autônoma?, opina o professor doutor do curso de Comunicação Social da Ufal, Ronaldo Bispo que, conduzido pelas primeiras notícias do governo chavista, chegou a questionar a política implantada na Venezuela. Ele admite ter considerado Hugo Chávez um ditador. ?Lembro vagamente da época de sua ascensão ao poder há 14 anos, das notícias que davam conta de arbitrariedades cometidas em várias áreas da economia, da política e da cultura. As informações divulgadas pela imprensa preguiçosa ou dependente das agências de notícias internacionais, alinhadas com os objetivos das políticas externas norte-americanas, chegaram a me fazer questionar a importância e o valor da figura de Hugo Chávez. Mais que isso, suas sucessivas tentativas bem-sucedidas de se perpetuar no poder também ajudaram a compor uma impressão negativa, de um novo ditador, excessivamente personalista e populista?, confessa. Bispo conta que a posterior leitura de artigos mais aprofundados o ajudou a construir outra visão do revolucionário militar. ?Solidificou-se em minha consciência a visão de um líder político imprescindível e verdadeiramente empenhado nas reformas socialistas de sua alardeada revolução bolivariana. O simples fato de termos uma voz anti-americana, não alinhada, em nosso continente já representava um grande mérito e serviço. Sabemos que os EUA sentem-se os donos do mundo e querem fazer todos acreditar que o que é bom para eles é bom também para todas as nações e povos. É preciso resistir contra essa unanimidade?.

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