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Servidores federais discutem postura diante do novo governo

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Representantes de sindicatos dos servidores públicos de todo o País, inclusive de Alagoas, estão em Brasília desde a última sexta-feira tentando afinar o discurso e a pauta de reivindicações com a nova realidade: um presidente eleito com o apoio efetivo da categoria, que teve sua projeção a partir do movimento sindical e adotou, em campanha, um discurso de respeito e valorização dos servidores públicos. Com uma pauta lotada de reivindicações, os servidores decidem numa plenária ampliada, que termina neste domingo, sobre a postura que vão adotar no governo Lula. ?A pauta continua a mesma, porque ela foi construída não para o governo FHC, mas para atender às demandas justas dos servidores públicos federais?, diz Évio Lima, presidente, em Alagoas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Servidores Públicos Federais. Na sua opinião, as discussões devem girar em torno das estratégias de mobilização diante de um novo governo. Mas ele prefere esperar o resultado das plenárias setorizadas e da plenária ampliada, que acontece em Brasília. A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores da Previdência do Estado de Alagoas (Sindprev), Idailza Beirão, defende que se dê fôlego ao futuro governo para se situar sobre as possibilidades de caixa para atender às reivindicações que envolvam recursos. ?Lula vai ter que adaptar suas prioridades a um orçamento que está sendo aprovado agora, e a previsão de reajuste neste orçamento é de apenas 4%?, diz. Idailza esclarece que essa é uma opinião sua e não uma posição tirada da categoria. O Sindprev mandou dois representantes a Brasília e ela pretende convocar uma plenária para esta semana, onde serão apresentadas e discutidas as decisões. Sem aumento Segundo Idailza, Fernando Henrique deixou os servidores sem aumento durante sete anos, acumulando perdas calculadas em 84% pelo Dieese. A reposição salarial é um dos itens da pauta dos trabalhadores, que defendem ainda o fim das diferenças nas gratificações e a redução das disparidades entre ativos e inativos. Os servidores estão insatisfeitos com os 4% de reajuste previsto no orçamento de 2003 e esperam que Lula possa reverter o quadro. Em campanha, o presidente eleito disse que trataria o funcionalismo como a um filho, mas alertou para o fato de que também é capaz de dizer não a um filho. Mesmo que as dificuldades de ajustes, sobretudo financeiros, comuns a um novo governo, obriguem ao adiamento de medidas que gerem aumento de despesas os servidores acham que não encontrarão resistência a itens como a abertura de negociações, acordo coletivo de trabalho, universalização dos serviços públicos, retomada da discussão sobre a isonomia e fim das vantagens pessoais no serviço público, que integram a lista dos 13 compromissos de campanha de Lula em relação aos servidores. Avanço dos direitos trabalhistas e sociais, manutenção e melhoria dos órgãos públicos, recuperação do poder de compra dos salários, paridade entre ativos e inativos e revisão da extinção de órgãos públicos, é esperar para saber como vai se comportar o governo que se inicia em janeiro próximo.

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