Política
CUT descarta atrelamento ao governo Lula
BLEINE OLIVEIRA O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Alagoas, Évio Lima, deixou claro que o papel da entidade não muda em relação ao novo governo que se instala no País a partir de 1º de janeiro. A Central vai continuar combatendo o desemprego, defendendo avanços na legislação trabalhista, melhores condições de trabalho e o aumento do salário mínimo. Suas ações a partir de 2003 serão definidas de acordo com as ações e posicionamentos do presidente eleito. ?A CUT não é, e não será, atrelada a governos?- declarou Évio Lima, desqualificando as afirmações do coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. Em entrevista à Agência Estado (AE), o dirigente do MST teria declarado que o MST vai manter sua estratégia de ocupação, embora tenha decidido estabelecer uma trégua para verificar de que forma o governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai tratar a questão agrária no País. Ainda segundo a AE, João Pedro Stédile teria dito que ?o MST sem invasão é igual à CUT sem greve?. A suposta declaração desagradou ao presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores, que a considerou infeliz. A CUT, afirmou Évio Lima, não existe apenas para fazer greve, mas para defender os interesses dos trabalhadores brasileiros, independentemente de quem seja o presidente da República. A CUT, acrescenta ele, jamais pode perder sua autonomia ou descaracterizar-se vinculando-se a patrões, governos ou partidos políticos. A entidade se posicionou publicamente e claramente em favor da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive orientando seus sindicatos filiados a seguirem essa opção eleitoral. ?Lula era o candidato que sintetizava os anseios dos trabalhadores, por isso defendemos sua eleição. Mas isso não significa que vamos perder nossa autonomia. Esse é um princípio do qual jamais nos desvirtuaremos?- reage Évio Lima. O sindicalista deixou claro que a Central tem expectativa de que o governo Lula trará avanços sociais importantes. Embora ressalte que a classe trabalhadora e suas entidades representativas estão conscientes de que o regime político do País não mudou para o socialismo. ?Temos clareza de que o País continua capitalista, mas acreditamos em avanços?- afirma o dirigente da CUT. Mas ele está certo de que o futuro governo promoverá ações que acelerem o processo de reforma agrária. Afinal, a concentração de terra é um dos mais graves problemas brasileiros. Évio revela que a CUT defende a adoção de uma política agrícola que, efetivamente, estimule a produção de alimentos, único caminho para a retomada do crescimento econômico. ?Acreditamos que a recuperação agrícola será priorizada no governo Lula?- acrescentou.