Política
Lula se espanta com demanda por posi��es no futuro governo
Salvador ? Luiz Inácio Lula da Silva nem sentou ainda na cadeira presidencial, mas já se diz ?espantado? com a pressão por posições no governo que vem recebendo desde que venceu a eleição. Lula voltou a afirmar essa preocupação durante visita a Salvador, ontem,. Ele tinha feito a mesma confissão na sexta-feira, no encontro com quem tem oito anos de experiência na matéria, o atual presidente Fernando Henrique Cardoso, que a reproduziu a interlocutores, que a fizeram chegar aos jornalistas. A demanda por postos é maior, constatou Lula, do que a possibilidade de atendimento. A demanda por postos é maior, constatou Lula, do que a possibilidade de atendimento. Dois temas que todos acham que foram conversados na sexta-feira não estiveram no cardápio do jantar no Alvorada, ao menos no relato de FHC: salário mínimo e data da posse. Sobre o adiamento desta para 6 de janeiro, FHC repetiu ontem em Salvador suas objeções, em termos ainda mais claros: ?Cria uma situação que não é das mais transparentes. Qualquer ato de um presidente cujo mandato tenha sido prorrogado pelo Congresso pode ir para o tribunal?. Fernando Henrique aceita reduzir o seu mandato ?com mais facilidade do que aumentar, porque não teria esse constrangimento de ficar, como se diz na nossa gíria, biônico?. Sobre salário mínimo, o presidente repetiu o que diz uma e outra vez: ?Todo mundo sabe que o salário mínimo no Brasil é baixo. Se for possível aumentar, muito bem. Se os deputados abrirem mão de suas emendas, aumenta o mínimo; se alguém não quiser fazer uma estrada, pode ir para o mínimo; se quiser diminuir para a educação, pode ir para o mínimo. Vale a pena ou não??. FHC voltou a comentar também o pacto social, uma das principais bandeiras de Lula, para dizer que, ?no sentido preciso?, não cabe no momento brasileiro: ?Pacto acontece quando você está numa situação tão grave que as contradições entre as classes, os grupos, os interesses, até os valores, são postos à margem para se chegar a um objetivo. Não é o caso do Brasil. Não estamos à beira de um ataque de nervos?. Força pede salário mínimo de R$ 240 A direção nacional da Força Sindical se reúne hoje na Praia Grande, litoral de São Paulo, para elaborar um conjunto de propostas e reivindicações que serão encaminhadas ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O secretário-geral da central, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que a Força não abrirá mão da reivindicação do reajuste do salário mínimo de R$ 200 para R$ 240 em 2003. Pela proposta orçamentária enviada ao Congresso, o reajuste do mínimo no próximo ano será de 5,5%, quando o salário passará para R$ 211. O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, já disse que a aplicação de um reajuste menor ao mínimo será a primeira decepção provocada pelo governo Lula. ??É a nossa primeira decepção com o governo eleito, pois eles prometeram dobrar o mínimo em quatro anos. Vamos fazer uma oposição fiscalizatória em cima das propostas feitas por Lula durante a campanha.?? Bahia: presidente eleito recebe ?credito de confiança? de ACM Salvador ? Antigos adversários, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o senador eleito Antonio Carlos Magalhães (PFL) formalizaram ontem uma aproximação que se desenhava desde o segundo turno da eleição presidencial. Lula e ACM se reuniram por uma hora, tiraram fotos juntos e coube ao senador pefelista definir a tônica do encontro: ?Foi maravilhoso?, resumiu para os jornalistas. Lula evitou dar entrevistas durante todo o dia em que visitou Salvador. No Palácio de Ondina, residência oficial do governador da Bahia, com goles de sucos de cajá e de cacau, foi ACM quem relatou o teor da conversa. ?Lula teve uma fala excelente em todos os pontos. Disse como pretende prestigiar o Congresso, se entrosar com todos os Poderes e como ele quer conversar, o que acha que faltava nos governantes?, disse. Apesar de formalmente o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, ter divulgado nota em que anunciou que o partido fará ?oposição construtiva? ao PT, ACM foi bem mais brando. ?Eu particularmente e meu partido já demos um crédito de confiança ao Lula. Numa primeira fase, vamos apoiá-lo. E podemos apoiar todo o tempo, se essa for a disposição dele de trabalhar indistintamente pelo país.? Questionado se sua posição não se chocava com a adotada oficialmente pelo PFL, ACM tentou explicar o que será a ?oposição construtiva?: ?Sem má vontade com relação a qualquer proposição do governo?. Da reunião participaram ainda o presidente do PT, José Dirceu, o deputado federal mais votado do Estado, ACM Neto, o governador eleito do Bahia, Paulo Souto (PFL), o senador eleito César Borges (PFL), o atual governador Otto Alencar (PL), o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL), e o ex-ministro das Minas e Energia Rodolpho Tourinho, que assumirá a vaga de Souto no Senado por ser seu suplente.