Política
CADASTRO DE DESABRIGADOS � USADO PARA FACILITAR COMPRA DE VOTOS
A impaciência de quem perdeu tudo e não consegue ver as casas erguidas, mesmo sem a infraestrutura completa, resultou em uma onda de invasões nos conjuntos habitacionais da Reconstrução. O problema é que a situação abriu espaço para aproveitadores de toda sorte. Mas também virou oportunidade para aqueles que vivem em condições de extrema pobreza e necessitam da atenção do poder público. As denúncias de que criminosos haviam se infiltrado nos cadastros para receberem a doação de casas e vendê-las em seguida já alertaram promotores do Ministério Público Estadual, que acionaram o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal para averiguarem se prefeitos incharam os números de vítimas pensando em utilizar a entrega de casas como moeda de compra de votos. Suspeitas que recaíram principalmente nos municípios de Rio Largo, São José da Laje e Santana do Mundaú. DE FORA Enquanto o clientelismo parece ter atuado contra os interesses da população, verdadeiras vítimas que se cansaram de esperar continuam sem uma definição sobre as moradias. Porque a formalização de ações na Justiça para a reintegração de posse dificulta o avanço das obras. Maria Lucieri é uma dessas vítimas invisíveis para o poder público. Depois de perder tudo na enchente, em Rio Largo, vive sufocada em um quarto de um motel abandonado, na região do aeroporto. Apesar da altíssima umidade e das paredes que dão choque, preferiu não seguir as 26 famílias que viviam no motel e invadiram o Conjunto Demorisvaldo Targino Wanderley, onde continuam há dez meses sem energia, água encanada e com esgoto correndo à porta. ?Paguei R$ 1.800 para vir para cá após a enchente. Saí para lá e desisti. Lá está entregue às baratas. Tive que voltar. É preciso que tomem uma atitude. Tem gente ficando doente aqui e lá. Só Jesus!?, lamenta. DS