Política
V�TIMAS DAS ENCHENTES AINDA MORAM EM SITUA��O DESUMANA
Santana do Mundaú ? Depois de escapar da morte mas perder sua casa de taipa para a força das águas do Rio Mundaú, em 18 de junho de 2010, a vida de Valdenice Pereira da Silva, 49, somente começou a mudar há pouco mais de dois meses. Ainda mais neste início de inverno, quando ela já evita caminhar durante cerca de uma hora em busca de água potável. Bebe água da chuva mesmo, para evitar a pouco confiável cacimba cavada há 30 anos. Vivendo desde abril com seu filho de 10 anos numa casa do Conjunto Santana do Mundaú, dona Valdenice deixou de utilizar R$ 100 que tirava dos R$ 102 recebidos do Bolsa Família para pagar o aluguel de um quarto, na beira do rio da cidade que foi 80% destruída, em 2010. Um balde agora é usado como despensa. E tem itens um pouco mais variados da cesta básica. Valdenice fez economia, mas teve de comprar R$ 6 de ?gás de candeeiro? para não ficar no escuro à noite. E até comprou carne de boi, que cozinhava no fogareiro improvisado na área em frente à sua casa, na manhã da última quinta-feira (13), quando acordou 4h para poder fazer o almoço completo. ?Quando chegamos aqui, tinha energia e água. Depois tiraram... Acho que para a gente sair. De lá pra cá, nós queima [sic] o gás. Eu não tinha para onde ir. Me deram a chave e eu vim para cá. Aqui ainda é bom para mim! Porque eu não pago o aluguel. E os cem contos eu compro de feira. Antes, eu ainda tinha que batalhar para pagar a energia. Tiro laranja e trabalho em roça. Ganho R$ 15, às vezes R$ 20. Esse fogão ganhei de minha filha. Mas evito usar. Cozinho com lenha porque se chover e o gás acabar, como é que vou fazer comida para meu filho? O que eu queria mais, mesmo, era a água e a energia. Quando tá chovendo, uso o banheiro e jogo água. Mas quando tá estiado a gente usa os mato [sic]. É assim mesmo. A gente não tem nada mesmo. Essa casa ainda tá na mão deles, né? Deram a chave para a gente ficar. Depois dizem para a gente sair. Mas o que eu vou fazer lá na beira do rio, no inverno? A gente tem que sofrer, né, enquanto eles não ajeitam aí??, disse dona Valdenice.