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Política

“Incitar o �dio � lament�vel”

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Professora de História da Ufal, Ana Paula Palamartchuk avalia o que provocou a brecha que favoreceu a presença de discursos conservadores em meio às manifestações. ?Até a realização das manifestações de ontem [quinta-feira], havia uma forte tendência de que reivindicações que extrapolassem o tema dos aumentos das passagens do transporte público, como a melhoria da qualidade desse mesmo transporte, do sistema público de saúde e educação, forçassem o governo federal e os governos locais a rever os investimentos nas áreas sociais?. Em seguida, ela segue o raciocínio, criticando as vozes do antipartidarismo. ?Hoje, depois da consolidação da postura vacilante do governo federal e dos governos locais comandados pelo PT, postura que quase não se diferencia da dos partidos conservadores de centro e de direita, o espaço foi escancarado para posturas e discursos conservadores e reacionários, querendo transformar o movimento apartidário em antipartidário, convocando suas forças paramilitares para incitar o ódio aos partidos nas ruas organizados sob a legenda da mídia golpista?, explica. Ana Paula participou das manifestações em Maceió e lamenta o que viu: ?Nunca pensei que um dia pudesse viver o que vivi [na manifestação de quinta-feira]. Hoje, não milito em partido algum, mas minha agenda política é de esquerda há mais de trinta anos, e em um momento no qual ainda não responsabilizamos o Estado e o governo militar das mortes, torturas e desmandos da ditadura, ver militantes de esquerda sendo banidos e covardemente, em alguns casos, sendo espancados, é, para dizer, no mínimo, lamentável?. Para ela, após tantas manifestações confusas, vale um alerta. Sem meias palavras, avisa: ?Agora, o que está em jogo é a manutenção do estado democrático de direito?. CS

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