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Política

ESSA PROPOSTA � UM EQU�VOCO

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Somos assolados por políticos corruptos, mentalidades rígidas que conduzem o governo de maneira pouco flexível e com conceitos impositivos e absurdos. O que muitos parlamentares possuem é um sentimento de soberba, cuja posição política é sustentada por posicionamentos distorcidos da própria vida, da sociedade e do mundo. A sensação que tenho é que o momento histórico contemporâneo e cultural do Brasil é ignorado por uma grande parcela de políticos, que não se atentam às mudanças da sociedade. Políticos que fazem pouco caso da transformação de mentalidades da população e que deveria ser enaltecida e contemplada, porque amplia-se a discussão e as reflexões sobre os papéis sociais, a sexualidade, a participação politizada das pessoas sobre as mazelas do Brasil e por aí vai. Não são todos, mas políticos como Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, e Jair Bolsonaro (PP-RJ) se sentem intocáveis e fazem um desserviço para a população brasileira. Com um discurso homofóbico, os parlamentares são conhecidos por um posicionamento arbitrário e agressivo em relação aos homossexuais. As absurdas e agressivas declarações da dupla incitam a violência e semeiam o ódio. Toda essa polêmica em torno da homossexualidade e as opiniões contrárias dos parlamentares já seriam suficientes para questionarmos, de fato, quais os benefícios para a nação em tê-los como representantes da sociedade. O mais triste é que as ideias preconceituosas e pouco esclarecidas representam uma grande parcela da população que se espelha nas considerações deturpadas que os dois fazem das identidades sexuais e insistem em resistir às transformações que estão acontecendo. Uma lei apelidada de ?cura gay? foi aprovada em meio aos protestos e manifestações políticas que acontecem em todo o país, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias no último dia 18 de junho. A proposta de lei terá que passar ainda por outras duas comissões, da Seguridade Social e Constituição e Justiça. Se aprovada em ambas, segue para o plenário da Câmara. Esta proposta, além de ser um grande equívoco, é mal-intencionada. A lei de fato não fala em ?cura gay?, não explicitamente. A concepção de uma cura é implícita na intenção da proposta. Está nas entrelinhas. A lei se expressa entre aspas sutilmente, mas é bastante incisiva. Se alguém vai a uma clínica de psicologia para mudar sua orientação sexual é porque se considera doente, enfermo e portador de algo maléfico. Esta é a maneira da lei patologizar a homossexualidade. A pessoa pode estar descontente de sua orientação sexual, se sentir incomodada com seu desejo por alguém do mesmo sexo, mas isso se deve a uma opressão social, que faz com que esta pessoa se sinta retraída, culpada, envergonhada de si mesma. A proposta de lei coíbe e cerceia a aceitação que uma pessoa deve ter aos seus próprios desejos e a maneira de se reconhecer como um ser livre. Devemos curar, sim, o preconceito e combater os conceitos deturpados, a ignorância da sociedade sobre a homoafetividade. Duas mulheres podem se amar. Dois homens podem se amar. Estes casais devem se amar e ser felizes.

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